São Paulo, Terça-feira, 22 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,11 · Euro R$ 5,86 · Ibovespa 186.596 -0,00%
A economia explicada todos os dias
Política

Jurista critica embates entre ministros durante sessão do STF

Gustavo Sampaio afirmou que os ministros devem preservar serenidade e contenção, especialmente a poucos dias do primeiro turno das eleições.

Jurista critica embates entre ministros durante sessão do STF
Foto: Rosinei Coutinho/STF

Discussões entre ministros marcaram o início da sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que deve analisar o relatório da Polícia Federal sobre a relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

Moraes e André Mendonça trocaram acusações durante o debate. Moraes questionou repetidamente “quem tem medo da Polícia Federal?” e afirmou que Mendonça teria procurado a corporação para pedir a inclusão de um colega em uma colaboração premiada. O ministro disse ter testemunhas para confirmar sua versão e sugeriu que elas fossem chamadas. Mendonça negou e classificou as afirmações como “mentira”.

Gilmar Mendes também divergiu de Mendonça ao criticar a condução do caso. O decano do STF disse haver “inequívoco viés eleitoral” na forma como o processo foi conduzido. Mendonça respondeu que o colega estava sendo leviano.

Outro conflito envolveu Flávio Dino e o presidente do STF, Edson Fachin. A discussão tratou da ordem de fala na sessão. Fachin afirmou que os ministros deveriam pedir a palavra à Presidência e acrescentou que o regimento não permite manifestações sem autorização do presidente.

Para o jurista Gustavo Sampaio, a postura adotada pelos ministros foi incompatível com o comportamento esperado de uma corte judicial. Ele disse que os magistrados devem demonstrar serenidade, autocontrole e capacidade de contenção para preservar uma Justiça tranquila. Sampaio também afirmou que os embates não deveriam ultrapassar os limites da educação.

O jurista comparou o episódio a outros períodos de tensão no tribunal, como o julgamento do Mensalão. Na avaliação dele, existe motivação política por trás da atuação dos envolvidos e risco de uso mal-intencionado dos acontecimentos internos do STF no processo eleitoral. Ele associou essa preocupação às investigações da Compliance Zero e ao inquérito das Fake News, que estavam sob relatoria de Moraes.

Faltam 19 dias para o primeiro turno das eleições deste ano. Sampaio afirmou que a proximidade do pleito não deve interferir no andamento do processo e defendeu que todos os ministros sob suspeita sejam investigados com autorização do Plenário.

O jurista também criticou o argumento apresentado por Nunes Marques ao declarar impedimento para votar. O ministro justificou a decisão por ser presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para Sampaio, a acumulação das funções foi prevista pelos deputados constituintes e faz parte da rotina de integrantes do STF que também atuam no TSE.

Manifestação de Moraes

Na noite de segunda-feira (14), Alexandre de Moraes enviou uma manifestação a Edson Fachin negando ter cometido irregularidades. O ministro afirmou que nunca favoreceu o Banco Master ou Daniel Vorcaro e que jamais julgou processos envolvendo o banqueiro ou a instituição.

Moraes também disse que a ofensiva contra ele tinha motivação político-eleitoral. Segundo o ministro, a investigação seria ilegal por ter sido instaurada sem pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), sem provocação da Polícia Federal e sem autorização prévia do Plenário do STF.

Sampaio considerou incoerente a resistência de Moraes às investigações. Para o jurista, investigar não equivale a acusar ou condenar e pode permitir a esclarecimento dos fatos. Moraes havia afirmado que não mantinha interlocução com Vorcaro e que não respondia às mensagens enviadas pelo banqueiro.

Na avaliação de Sampaio, essa explicação pode ser confirmada ou descartada pela investigação. Ele disse que, caso as apurações sustentem a versão de Moraes, a dignidade, a legitimidade e a honra do ministro poderão ser restabelecidas.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.