RIO DE JANEIRO — Lula rejeitou a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A declaração foi dada nesta sexta-feira, durante um evento de apresentação de ações integradas de segurança pública no Rio de Janeiro.
Os Estados Unidos incluíram as duas facções na lista de organizações terroristas. A medida mudou a abordagem da Casa Branca sobre os grupos brasileiros e colocou o combate ao narcotráfico sul-americano entre as prioridades de segurança nacional e política externa do país.
Lula disse não aceitar o enquadramento defendido por Donald Trump. “Isso é terrorismo de Estado”, afirmou, ao citar a tentativa de golpe no 8 de Janeiro e mencionar que o episódio teria como objetivo matar Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes.
O presidente também afirmou que Trump trata de terrorismo de Estado quando fala sobre o tema, e não da disputa pelo poder entre grupos criminosos. Na legislação brasileira, PCC e CV continuam classificados como organizações criminosas, com previsão de penas para essas condutas.
Críticas e resposta do governo
Um relatório divulgado pela administração de Donald Trump acusou o Brasil de falhar no combate às duas facções. O documento classificou os grupos como ameaças à segurança internacional e cobrou medidas urgentes para contê-los.
O Ministério da Justiça e o governo brasileiro rejeitaram as alegações. As autoridades destacaram operações frequentes de desarticulação patrimonial das quadrilhas e afirmaram manter acordos bilaterais de inteligência e cooperação com agências norte-americanas contra o tráfico de drogas e armas.
Durante o evento, Lula também falou sobre a Margem Equatorial. Disse que o petróleo da região parece ter qualidade melhor e defendeu que o Brasil controle seus recursos, citando ainda o interesse de Trump por minerais críticos, petróleo e terras raras. Ao questionar a capacidade de fiscalização, mencionou a extensão de 18 mil quilômetros de fronteira.
Sobre a segurança no Rio, Lula afirmou que criminosos e milicianos deixam a população assustada em bairros, escolas e ruas das periferias. Disse que, se for reeleito, retomará territórios ocupados por organizações criminosas e criará o Ministério da Segurança Pública para reduzir os índices de violência no país.



