A Polícia Federal investiga uma suposta estrutura de comercialização de influência junto a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A apuração levou à operação de busca e apreensão contra o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) nesta segunda-feira (14).
O pedido da PF afirma que o deputado teria mantido despachos com ministros em conjunto com Mariângela Fialek, conhecida como Tuca. Servidora da Câmara dos Deputados, ela foi assessora de Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Casa.
Cezinha é apontado como próximo do ministro André Mendonça e teria articulado a indicação dele ao STF, além de um encontro reservado entre o magistrado e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Os autos também mencionam conversas sobre processos sob relatoria de Mendonça e de outros dois ministros do Supremo, Kassio Nunes Marques e Gilmar Mendes.
A PF ressalta que os três ministros não são investigados e que não há suspeita de irregularidades cometidas por eles. “Não constituem objeto desta apuração, nem da medida ora requerida, a conduta de ministros do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior Eleitoral ou de quaisquer outros magistrados”, afirma um trecho reproduzido na decisão.
O documento diz ainda não haver registro de pedido, aceitação ou recebimento de vantagem indevida por integrantes do Judiciário. Os magistrados aparecem nos diálogos apenas como possíveis destinatários da influência mencionada pelos investigados, e não como suspeitos.
Segundo a investigação, o deputado receberia remuneração por meio de contratos de honorários e de cessão de crédito firmados por advogadas ligadas a ele, incluindo sua própria esposa.
A operação foi autorizada pelo ministro do STF Flávio Dino em meio a uma crise interna no tribunal e na véspera de uma sessão plenária sobre um relatório que aponta mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, do Banco Master. Os diálogos mencionam um contrato de R$ 131 milhões entre o banco e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, além de encontros entre Moraes e Vorcaro pelo menos seis vezes desde 2024. Em 2025, dois dias antes de ser preso, Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o país.


