O acesso aos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro foi restringido nos gabinetes do Supremo Tribunal Federal (STF). O arquivo, enviado pela Polícia Federal (PF) por determinação de ministros, tem 500 gigabytes e passou a ser analisado para identificar fatos relevantes, possíveis lacunas e pontos de atenção indicados pelos próprios integrantes da Corte.
Os ministros ainda não decidiram quais serão os próximos passos nem estabeleceram prazo para o fim da apuração. A análise também inclui a conferência do recorte usado pela PF na elaboração dos relatórios.
O material está dividido em pastas com conversas, áudios e logs, que são registros de atividades realizadas no aparelho. Há atenção especial à preservação da privacidade de informações pessoais presentes na extração e ao risco de exposição de dados relacionados a apurações ainda não deflagradas ou que possam abrir novas frentes de investigação.
Como os dados foram organizados
A PF usou o IPED, software de perícia conhecido como Indexador e Processador de Evidências Digitais, para organizar e analisar os arquivos. O sistema permite buscas por palavras-chave em conversas e documentos, estrutura os arquivos e gera um código específico para verificar a integridade das provas e eventuais tentativas de alteração.
Peritos também utilizaram ferramentas para acessar dados apagados ou protegidos por senha, copiar o conteúdo completo do celular, recuperar fragmentos e rastrear registros de envio de mensagens e arquivos.
Em nota, a PF afirmou que as cópias entregues “são idênticas à extração realizada do aparelho”. O órgão disse ainda que o material original permanece sob sua guarda, com cadeia de custódia documentada, lacres íntegros e mecanismos de verificação de integridade digital.
Origem da disputa
O celular foi apreendido na primeira prisão preventiva de Vorcaro, determinada pela Justiça em 17 de novembro do ano passado. A extração identificou interlocução com autoridades dos Três Poderes, incluindo ministros do STF e parentes, políticos, deputados e senadores, além de diretores do BC e outros interlocutores.
Mesmo sem decisão do presidente do Supremo, Zanin, Mendes e Moraes determinaram o envio de uma cópia do acervo. O conteúdo já embasou buscas contra Ciro Nogueira e Jaques Wagner e levou à retirada do sigilo de um relatório da PF que apontou Moraes como interlocutor em 52 mensagens de Vorcaro.
O documento afirma que Moraes participou da análise e da edição de um contrato de R$130 milhões entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, de Viviane Barci. Segundo a PF, Vorcaro perguntou a Moraes, dois dias antes de ser preso, se deveria deixar o Brasil e pediu ajuda para conter ações contra o banco. O relatório registra oito encontros entre os dois.
Moraes classificou as mensagens como fantasiosas e afirmou que nunca favoreceu Vorcaro ou o Master.


