LONDRES — Uma fotografia do procurador-geral da República, Paulo Gonet, ao lado de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, foi encontrada entre as mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do banqueiro. A imagem mostra Gonet com um charuto nas mãos, sentado próximo a Vorcaro e a outros dois homens, em um ambiente com copos de uísque.
A foto foi enviada a Vorcaro pelo advogado Ciro Soares, ex-defensor do Banco Master, em 19 de junho de 2025. A mensagem que acompanhava a imagem dizia: “PG me mandou”, em referência às iniciais de Paulo Gonet.
A Procuradoria-Geral da República confirmou a autenticidade da fotografia. O órgão afirmou que Gonet já havia reconhecido publicamente sua participação em um evento organizado por Vorcaro, que contou com a presença de outras autoridades.
Mensagens citadas no relatório
O relatório da PF também registra mensagens trocadas entre Vorcaro e Ciro Soares sobre a relação com Gonet. Em abril de 2024, o advogado escreveu que “Gonet é firme” e afirmou que o procurador-geral teria ajudado a convencer um candidato a desistir de uma disputa pela presidência do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais do Ministério Público dos Estados e da União, em favor de Jarbas Soares Júnior, então procurador-geral de Justiça de Minas Gerais.
Em 15 de março de 2025, Ciro enviou uma foto ao banqueiro e escreveu que Gonet queria falar com ele. Na sequência, foram registradas quatro chamadas entre Vorcaro e o advogado. Para a PF, os registros indicam que o banqueiro conversou com o procurador-geral pelo telefone de Ciro.
Mensagens de 28 de março de 2025 indicam que Gonet viajaria com Vorcaro para Londres. Em outro trecho, Ciro afirma que o procurador-geral perguntou se o filho poderia acompanhá-los. Em abril de 2025, o advogado também disse que estava a caminho da Procuradoria-Geral da República para tratar de um assunto urgente com Vorcaro.
Citado no relatório, Gonet defendeu a nulidade do documento da PF. Segundo ele, uma investigação sobre membro do Supremo Tribunal Federal dependeria de autorização do plenário da Corte, o que não teria ocorrido. André Mendonça afirmou que a menção ao procurador-geral nas mensagens não era grave. O ministro pediu que o caso fosse analisado pelo plenário; a discussão foi interrompida por um pedido de vista de Flávio Dino.



