A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu a retirada do sigilo da investigação sobre a rede de pagamentos de Daniel Vorcaro e uma instituição financeira extinta. A decisão sobre tornar o inquérito público ainda cabe ao ministro Edson Fachin, responsável pela condução do caso.
O pedido para retirar o sigilo foi feito pelo ministro Alexandre de Moraes neste domingo (13), antes do julgamento marcado para terça-feira (15). A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) discutirá se a Corte deve apurar a relação entre Moraes e Vorcaro, ex-banqueiro e dono do Master.
A solicitação foi encaminhada ao presidente do STF, que enviou o caso para análise da PGR. A manifestação é assinada pelo vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateabriand Filho.
Argumento da PGR
Chateabriand Filho afirmou que a PGR não havia defendido anteriormente o fim do sigilo porque não tinha informação sobre a existência do documento. Na nova manifestação, o órgão considerou que o material é relevante para a compreensão dos fatores envolvidos no julgamento.
“a Procuradoria-Geral da República entende que também deve ser retirado o sigilo”, diz o documento.
Está previsto para terça-feira o julgamento das mensagens trocadas entre Moraes e Daniel Vorcaro. Na semana passada, Fachin convocou o plenário do STF para discutir o relatório da Polícia Federal (PF), produzido por determinação de Mendonça, que apontou uma suposta relação entre o ministro e Vorcaro.
A PGR já havia defendido que esse relatório fosse arquivado. Segundo o órgão, sua elaboração ocorreu sem comunicação prévia à Presidência, sem submissão ao plenário e com suposto direcionamento, dentro das investigações do caso Master.
Para a PGR, uma falha na origem do relatório poderia impedir que os ministros analisassem se as mensagens justificam a abertura de uma investigação ou se seria necessário acessar mensagens de Moraes em resposta a Vorcaro.
A PF localizou 52 mensagens trocadas de 21 de dezembro de 2023 a 17 de novembro de 2025, data da primeira prisão de Vorcaro. O relatório afirma ainda que Moraes atuou diretamente na análise e na edição de um contrato de R$ 130 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia Barci de Moraes, de Viviane Barci, esposa do ministro.


