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Impeachment de ministros de cortes supremas ainda é raro em democracias

Casos recentes de remoção de magistrados ocorreram após acusações de corrupção, influência indevida ou uso irregular de recursos públicos.

Impeachment de ministros de cortes supremas ainda é raro em democracias
Foto: Reuters

A eventual remoção de Alexandre de Moraes por impeachment seria inédita na história do Brasil e colocaria o país entre os poucos casos de democracias que destituíram integrantes de suas supremas cortes neste século. A discussão voltou ao Senado após suspeitas envolvendo o ministro no caso do Banco Master.

Casos recentes

As destituições de juízes são mais frequentes em países onde há erosão democrática. Hungria, em 2012; Venezuela e Polônia, em 2015; Turquia, em 2016; e El Salvador, em 2021, adotaram punições ou reformas judiciais que afetaram a independência dos magistrados.

Também houve disputas entre o Judiciário e o Legislativo em processos no Paquistão, em 2007, em Honduras, em 2012, e no Peru, em 2022.

Um dos episódios mais próximos da situação discutida no Brasil ocorreu no Chile, em 2024. A Corte Suprema chilena destituiu Ángela Vivanco após ela ser implicada em um escândalo de tráfico de influência. A decisão veio depois da divulgação de conversas da magistrada com um advogado que buscava benefícios do tribunal.

Na Argentina, Eduardo Moliné O'Connor e Antonio Boggiano foram removidos pelo Senado no início dos anos 2000, após a revelação do caso Meller. Os dois haviam votado pela validação de uma dívida considerada fraudulenta, que o Estado deveria pagar à empresa Meller, contratada para elaborar e imprimir listas telefônicas. Moliné deixou o cargo em 2003, e Boggiano, em 2005.

Houve ainda casos nas Filipinas, em 2012, na África do Sul, em 2024, e em Gana, em 2025. Nesses episódios, as acusações envolveram ocultação de bens, tentativa de influenciar decisões judiciais e uso de verbas públicas para financiar viagens de familiares.

Limites do impeachment

Cássio Casagrande, cientista político e professor de direito da Universidade Federal Fluminense, afirma que a responsabilização de magistrados envolve necessariamente uma dimensão política. Para ele, o aumento da atuação do Judiciário gerou preocupação com o excesso de poder, mas mecanismos de controle também podem ser usados para enfraquecer a independência das cortes.

No Brasil, a ditadura militar aposentou três integrantes do Supremo em 1969. Emilio Meyer, professor de direito constitucional da Universidade Federal de Minas Gerais, relaciona a menor quantidade de remoções em regimes democráticos à transparência da função e à exigência de requisitos éticos para o exercício do cargo.

Meyer cita o caso argentino como exemplo de responsabilização por favorecimento de uma empresa. Ao mesmo tempo, afirma que o governo de Néstor Kirchner tinha interesse em retirar do Supremo a chamada maioria automática, formada por ministros indicados pelo ex-presidente Carlos Menem.

Para o professor, o controle feito apenas pelo Legislativo pode sofrer críticas por interferência política. Já processos internos enfrentam o risco de corporativismo. A efetividade de qualquer modelo, diz, depende do grau de independência institucional e da existência de práticas de prestação de contas.

Casagrande atribui parte da crise atual do Supremo ao excesso de poder e defende sua redução. Meyer, por sua vez, aponta a atuação individual dos ministros e a ausência de um código de ética institucionalizado como elementos da crise.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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