A campanha de reeleição do presidente Lula levou à televisão, nesta quinta-feira (17), um programa que atribui ao governo Jair Bolsonaro a responsabilidade pelos preços dos alimentos. A peça também apresenta como promessa o aumento do limite de receita bruta anual dos microempreendedores individuais (MEIs) para até R$ 140 mil.
O programa eleitoral responde às críticas da campanha de Flávio Bolsonaro sobre o custo de vida e tenta associar a alta dos preços a decisões tomadas durante o governo anterior. Entre as medidas citadas estão a privatização da distribuição de combustíveis e mudanças nos impostos.
Lula aparece no vídeo afirmando que o arroz e o feijão ficaram mais caros durante o governo Bolsonaro. A propaganda também diz que os impostos zerados beneficiaram jet skis e jatos particulares e que a distribuição e o refino dos combustíveis foram entregues a empresas estrangeiras.
Depoimentos exibidos na peça afirmam que as compras ficaram mais caras durante a gestão anterior. Em seguida, uma apresentadora declara que Lula iniciou a recuperação do poder de compra, mas que os efeitos ainda não são percebidos por todos porque a reconstrução leva tempo.
Promessas econômicas
A propaganda apresenta o projeto de ampliação do limite dos MEIs como uma promessa de campanha. A proposta foi enviada pelo governo ao Congresso no final de junho e prevê um aumento escalonado para até R$ 140 mil em dois anos. Hoje, o teto é de cerca de R$ 80 mil. De acordo com a gestão Lula, a mudança deve custar R$ 8,1 bilhões até 2029.
O programa também menciona a isenção de impostos sobre produtos da cesta básica, que passa a valer no ano que vem. Lula afirma que a economia obtida com a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 será “como se fosse um 14º salário”.
Na peça, o presidente promete manter a inflação sob controle, garantir que o salário mínimo fique acima da inflação e investir na geração de empregos com salários melhores. A campanha também cita o fim da taxa das blusinhas.
Ataques a Flávio Bolsonaro
O vídeo começa tentando apresentar Flávio Bolsonaro como mentiroso. A campanha mostra uma declaração em que o senador afirma não ser alvo de investigação e, na sequência, exibe o Jornal Nacional noticiando que ele é alvo de apuração.
Pessoas ouvidas no programa chamam o adversário de Lula de “mentiroso”, “cara de pau” e “Pinóquio”. O trecho termina com um questionamento sobre a possibilidade de confiar no candidato e reforça a mensagem de que ele não teria capacidade para conduzir uma política de redução do custo de vida.
A ofensiva ocorre depois de Flávio Bolsonaro ganhar espaço nas pesquisas. Na segunda-feira (14), levantamento da Quaest mostrou o senador numericamente à frente no segundo turno, com 42% das intenções de voto, contra 40% de Lula, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.


