SÃO PAULO — Uma operação prendeu 15 suspeitos e apreendeu cerca de 10 mil itens ligados a uma rede que recebia, modificava e revendia celulares roubados ou furtados. O material — entre aparelhos, peças e acessórios — foi levado para um prédio da Polícia Civil e pesava aproximadamente 60 toneladas, segundo estimativa de peritos.
A investigação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pelas polícias Civil e Militar de São Paulo. O Ministério Público estima que a organização movimentou quase R$ 460 milhões em cinco anos.
Onde os aparelhos eram concentrados
A Rua Guaianases, na região central de São Paulo, aparece na apuração como um dos principais pontos de recepção dos celulares. Boletins de ocorrência e registros de geolocalização analisados pelos investigadores indicaram o endereço como última localização conhecida de diversos aparelhos.
Nessa fase, promotores também identificaram tentativas de acesso a aplicativos bancários e a outras informações armazenadas nos telefones. Testemunhas disseram que parte dos celulares já tinha destino definido antes mesmo de ser retirada das vítimas.
A alteração da identificação
Depois de passar pelo ponto de recepção, os aparelhos eram enviados a núcleos especializados na modificação do IMEI, número único de identificação de cada celular. De acordo com o Ministério Público, os responsáveis usavam ferramentas específicas e substituíam o IMEI de telefones com restrições pelo de aparelhos inativos.
Com a troca, celulares roubados podiam aparentar situação regular, o que dificultava a identificação da fraude pelos sistemas de controle. Os investigadores afirmam que o esquema explorava uma falha na integração de informações entre fabricantes, operadoras, lojas e órgãos públicos.
Os integrantes encarregados dessa tarefa eram conhecidos como “icloudeiros”. Um dos suspeitos apontados como responsável pela alteração foi preso na operação.
A volta ao mercado
A etapa final incluía a venda dos aparelhos modificados ou o desmonte para comercialização de peças. Para criar uma aparência de origem legal, a organização também recorria a notas fiscais fraudulentas. Interceptações analisadas pelos promotores registraram conversas sobre a emissão de documentos com informações específicas dos celulares.
O volume de crimes ajuda a dimensionar o mercado investigado: mais de 830 mil celulares foram roubados ou furtados no Brasil em um ano, uma média de um aparelho a cada 38 segundos. Na maior cidade do país, apenas 6% dos telefones são recuperados.
Os investigadores agora buscam identificar vítimas, responsabilizar os envolvidos e tentar devolver os aparelhos recuperados aos proprietários.



