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Anthropic identifica uso de Claude em espionagem, vigilância e projetos militares

Relatório descreve operações digitais, coleta de informações, desenvolvimento de armas e aplicações de monitoramento com o chatbot.

Anthropic identifica uso de Claude em espionagem, vigilância e projetos militares
Foto: Dado Ruvic/Reuters

A Anthropic afirmou ter identificado o uso do Claude em operações digitais contra cerca de 50 organizações, incluindo redes de governos estrangeiros. O grupo, provavelmente baseado em Changsha, na China central, teria usado a inteligência artificial para localizar e explorar vulnerabilidades com pouca supervisão humana. Entre os integrantes estariam dois universitários, segundo a empresa.

O caso faz parte de um relatório divulgado na quinta-feira (10), que reúne episódios envolvendo espionagem, vigilância, fraude, operações políticas e desenvolvimento de armas. A Anthropic disse ter banido contas em parte das situações descritas.

Operações digitais e coleta de informações

A empresa também associou a um grupo de hackers baseado na Rússia operações de phishing, sequestro de redes Wi-Fi de hotéis e invasões de contas do WhatsApp contra alvos governamentais, militares e diplomáticos da Ucrânia. As atividades usaram IA em quase todas as etapas e apresentavam técnicas compatíveis com as do grupo Midnight Blizzard, que o governo dos EUA já havia relacionado ao serviço de inteligência estrangeira russo SVR.

Em outro episódio, agentes independentes provavelmente baseados na Rússia teriam usado o Claude para criar software de controle de um enxame de drones de ataque autônomos. O sistema incluía orientação terminal, seleção de alvos e coordenação entre aeronaves. A Anthropic também relatou o uso do chatbot por um gerente de compras na Rússia para encontrar intermediários na China e em Hong Kong e adquirir produtos europeus com possíveis aplicações militares, como magnetômetros alemães, wafers de grau espacial e sistemas de oxigênio para aviação.

Na China, um usuário empregou o Claude para desenvolver um pacote de guerra eletrônica e supressão de defesa aérea. O programa classificava alvos e simulava interferência de radar; durante o projeto, foram simulados 12 alvos em Taiwan, entre radares, baterias de mísseis e bases aéreas. A Anthropic afirmou que dados das contas ligavam o usuário à Academia de Ciências Militares do Exército Popular de Libertação e informou que as contas foram banidas.

A empresa descreveu ainda o desenvolvimento de um sistema antitorpedos destinado à Marinha chinesa. O Claude foi usado para produzir especificações, elaborar software de controle de fogo, comparar o projeto com o sistema da Marinha dos EUA e realizar simulações. Em outro caso, um agente na China pesquisou armas estrangeiras de micro-ondas de alta potência, componentes, fornecedores e cadeias de suprimentos para engenharia reversa e contramedidas.

No norte do Iêmen, um grupo usou o Claude para desenvolver software para um foguete guiado, um míssil balístico com alcance de mais de 2.000 quilômetros e uma variante com veículo de planagem hipersônica. A Anthropic disse não haver evidência de arma operacional. “Nossas salvaguardas bloquearam muitas de suas solicitações, mas não todas”, afirmou a empresa.

Monitoramento político, militar e religioso

A Anthropic relatou ter identificado e neutralizado um operador ligado ao Irã que reunia e analisava dados públicos sobre militares, navios, aeronaves e imagens de satélite para recomendar alvos contra forças navais dos EUA na região. O operador também pesquisou falhas em sistemas de bordo, comunicações e controle industrial.

Segundo a empresa, atores ligados à China usaram o Claude para compilar informações sobre cardeais católicos, líderes cristãos de Taiwan, budistas tibetanos, dissidentes e ativistas. Em uma operação separada, o chatbot automatizou relatórios governamentais sobre uigures, tibetanos, figuras políticas de Taiwan, ativistas trabalhistas e estudantis e mídia estrangeira.

Outro usuário alinhado à China rastreou e abordou uigures na Síria, inclusive pessoas consideradas vulneráveis, oferecendo pagamento por informações sobre unidades que haviam se juntado ao exército recém-formado do país. A Anthropic avaliou, com baixo grau de confiança, que o operador era contratado da segurança do Estado chinês.

No Irã, um operador ligado ao país criou um sistema automatizado para traçar perfis de integrantes de órgãos governamentais e não governamentais israelenses, organizações da diáspora judaica e pessoas israelenses e norte-americanas. A empresa também disse ter banido 16 contas operadas por duas unidades ligadas a agências paramilitares e de segurança interna iranianas não identificadas.

Uma dessas organizações alegava manter registros de identidade de cidadãos. A outra usava o Claude para desenvolver uma extensão maliciosa de navegador capaz de coletar em massa identidades de usuários das principais redes sociais.

No Mali, o chatbot teria sido a principal ferramenta de uma plataforma de vigilância doméstica criada para o serviço de inteligência estatal. O sistema, chamado Lakana 360, podia monitorar dados associados a cerca de 25 milhões de cartões SIM das três operadoras de celular do país. A Anthropic afirmou que a plataforma parecia ter sido desenvolvida em grande parte por um único consultor ligado à Agência Nacional de Segurança do Estado do Mali.

Fraudes, armas biológicas e aplicações comerciais

A Anthropic detalhou cinco tentativas de usar seus modelos em atividades que poderiam apoiar o desenvolvimento de armas biológicas. Entre os pedidos estavam financiamento para pesquisas de modificação do vírus da chikungunya, estudos sobre gripe aviária altamente patogênica e pesquisas relacionadas ao ortopoxvírus e a novos venenos e toxinas não transmissíveis. Alguns pedidos ocorreram em regiões onde a empresa não oferece serviço, o que exigiria ocultar a localização para acessar os produtos.

A empresa também afirmou ter banido uma conta usada para criar uma plataforma de vigilância comercial sobre usuários de redes sociais no Irã e na região do golfo. O sistema analisava, classificava e traçava perfis de atividades. A Anthropic disse que a operação estava em fase piloto e que não havia evidência de uso contra alvos reais.

Outra operação, ligada ao Irã, desenvolveu uma plataforma de perfilagem de indivíduos e buscou informações sobre israelenses e norte-americanos. Já um agente de língua francesa usou o Claude para segmentar 42 partidos políticos europeus, veículos de mídia, grupos de estudo e fornecedores de software. O sistema roubava dados e credenciais e compilava uma plataforma de doxxing para coletar e expor informações de pessoas.

Por fim, uma operação sediada na China desenvolveu mais de 20 aplicativos de namoro com mais de 4.700 personas de IA. Elas interagiram com pelo menos 25 mil usuários, enquanto personas e trabalhadores pagos eram usados para fazer os perfis parecerem genuínos.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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