SÃO PAULO — O candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) afirmou nesta terça-feira (15), durante um evento de campanha na Avenida Paulista, que políticos citados na lista de contatos ou envolvidos nas investigações relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro não deveriam receber votos caso sejam condenados.
“Quem está na lista do Vorcaro e for condenado, não merece o seu voto”, disse Cury. Ele afirmou estar indignado com as denúncias de corrupção e pediu ao ministro Edson Fachin e aos integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) que realizem julgamentos públicos, televisionados e rápidos.
A declaração ocorreu no mesmo dia em que o STF analisou a possibilidade de abrir uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por uma suposta relação com Vorcaro, ex-dono do Banco Master. A sessão terminou sem decisão depois que o ministro Flávio Dino pediu vista. Segundo as informações apresentadas, é a primeira vez que a Corte examina a abertura de uma investigação criminal contra um de seus próprios ministros.
Vorcaro está preso no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e a tentativa de compra da instituição pelo Banco de Brasília (BRB). Dados retirados do celular do ex-banqueiro estão entre os elementos analisados pelo STF.
Juros e contas públicas
Ao falar sobre as demandas ouvidas durante o evento, Cury citou o endividamento das famílias e defendeu a redução dos juros com responsabilidade fiscal. O candidato afirmou que muitas pessoas relataram dificuldades para pagar as contas e que os rendimentos não seriam suficientes para garantir dignidade às famílias.
Cury também disse que pretende auditar a máquina pública, reduzir gastos e revisar cargos políticos, preservando os funcionários públicos. Para ele, a redução dos juros deve ocorrer com responsabilidade fiscal.
Durante a passagem pela Paulista, o candidato relatou ter conversado com eleitores que disseram ter perdido a esperança no Brasil. Também afirmou ter ouvido críticas ao STF, ao Congresso Nacional e ao Executivo.
Cury apresentou sua candidatura como uma alternativa à polarização entre direita e esquerda. Ele disse que pretende unir o país e que sua decisão de concorrer não está ligada ao desejo de poder.



