São Paulo, Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,22 · Euro R$ 5,92 · Ibovespa 183.828 -0,00%
A economia explicada todos os dias
Brasil

Emendas de Flávio Bolsonaro para ONG ligada a miliciano são alvo de investigação

Ifop recebeu R$ 2 milhões de três parlamentares; Polícia Federal apura suspeitas sobre a aplicação dos recursos.

Flávio Bolsonaro enviou R$ 200 mil em emendas a ONG ligada a miliciano condenado pelo assassinato de Marielle

A Polícia Federal investiga o destino de R$ 2 milhões em emendas parlamentares recebidas pelo Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), uma ONG suspeita de ligação com Robson Calixto, conhecido como Peixe. O miliciano foi condenado no caso do assassinato de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Do total, R$ 200 mil foram enviados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), R$ 300 mil pela deputada federal Chris Tonietto (PL-RJ) e R$ 1,5 milhão pelo ex-deputado Chiquinho Brazão. Os recursos foram destinados em 2023, exceto a emenda de Brazão, liberada em 2025.

A PF apura se os repasses integraram um esquema de desvio de dinheiro público ligado ao entorno da família Brazão. A execução das verbas também foi investigada em uma operação realizada em julho pela PF e pela Controladoria-Geral da União, que apura suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Destinação dos recursos

A verba de Flávio Bolsonaro foi direcionada ao projeto Jogadores do Futuro, para a compra de chuteiras destinadas a projetos esportivos infantis. Pais de alunos disseram que os filhos não receberam os materiais previstos no termo de fomento. No projeto Vencedores do Futuro, financiado pela emenda de Chris Tonietto, também não houve confirmação da entrega das chuteiras.

O dinheiro de Chiquinho Brazão tinha como destino um programa de capacitação de mulheres, com aulas de informática na Baixada Fluminense, na Região Metropolitana do Rio. A liberação ocorreu depois da prisão do ex-deputado.

Relatório do Tribunal de Contas da União apontou suspeitas de irregularidades na compra de materiais pelo Ifop com a emenda de Flávio. A auditoria afirmou que a entidade não procurou condições mais vantajosas e não comprovou preocupação com economia ou eficiência na utilização dos recursos.

Investigação e manifestações

Segundo a PF, Robson Calixto teria intermediado os recursos obtidos no gabinete de Flávio Bolsonaro. Na época, ele era assessor de Domingos Brazão no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro e era apontado como homem de confiança do ex-conselheiro.

Mensagens encontradas no celular de Calixto registram pedidos feitos a Maria de Fátima Bezerra, assessora de Flávio Bolsonaro conhecida como Fafá. Em outubro de 2023, ele pediu ajuda ao senador para o Ifop. A emenda foi enviada em 29 de novembro de 2023.

A assessoria de Flávio disse que a emenda “foi destinada dentro da legislação vigente e dos critérios técnicos do Ministério do Esporte”. Também afirmou que a execução cabe à entidade beneficiária e que eventuais irregularidades devem ser apuradas pelos órgãos de controle.

O Ifop declarou desconhecer a atuação de Calixto na obtenção da verba e negou relações com Peixe ou com a família Brazão. A ONG afirmou ter contratado, em 2022, uma assessoria para apresentar projetos a parlamentares e disse nunca ter tido contato direto com Flávio Bolsonaro.

Calixto foi preso em maio de 2024. Em delação premiada, Ronnie Lessa afirmou que ele adquiriu a submetralhadora usada no assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. Em fevereiro deste ano, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou Calixto a nove anos de prisão por organização criminosa. Chiquinho e Domingos Brazão receberam penas de 76 anos e três meses de prisão.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.