A Polícia Federal investiga se o advogado Willer Tomaz de Sousa usou operações de apostas para lavar dinheiro. Entre janeiro de 2025 e julho de 2026, ele movimentou R$ 6,6 bilhões em apostas e acumulou, segundo os dados apresentados por sua defesa, prejuízo de R$ 188,5 milhões.
As informações constam de um processo contra a Blaze, casa de apostas que patrocina o atacante do Santos, Neymar Jr., e manteve contrato com a influenciadora Virgínia Fonseca. O pedido foi protocolado em agosto deste ano e ficou sob sigilo até o começo da tarde desta terça-feira (29).
Valores depositados e funcionamento da conta
No período analisado, Tomaz fez 2.145 depósitos, que somaram R$ 325 milhões. A defesa afirma que o advogado usava os valores em apostas sucessivas até chegar ao volume bilionário movimentado. Os advogados dizem que o total pode ser maior porque não conseguiram acessar os registros anteriores a 2025, embora tenham localizado 55 páginas de depósitos referentes a esse período.
As principais perdas, de acordo com a defesa, ocorreram em mesas de cassino online. As rodadas duravam 30 segundos e permitiam apostas de até R$ 500 mil. Inicialmente, o limite era de R$ 125 mil e teria aumentado após pedidos de Tomaz.
A defesa afirma que a Blaze ofereceu R$ 42,2 milhões em estímulos, descritos como bônus pela assiduidade. Também contesta a diferença entre os limites de depósito e saque: era possível depositar até R$ 500 mil de uma vez, enquanto cada retirada estava limitada a R$ 100 mil.
Em uma noite, segundo o processo, Tomaz solicitou 16 saques de R$ 100.000,00, totalizando R$ 1.600.000,00, entre 00h19 e 00h25. Depois, tentou retirar outros R$ 100.000,00, mas teve a operação bloqueada pelo sistema. Ao final, aplicou R$ 1,9 milhão e restaram R$ 0,29 na conta.
Alegação de ludopatia e investigação
A defesa pediu a devolução dos valores enviados à Blaze e afirmou que Tomaz foi diagnosticado com ludopatia, transtorno associado à perda de controle sobre o impulso de jogar e apostar. Os advogados dizem que ele comunicou o diagnóstico à empresa, solicitou o bloqueio definitivo da conta em três protocolos e enviou uma notificação pré-litigiosa.
A Blaze contestou o uso da palavra prejuízo para descrever as operações. Para a empresa, o movimento líquido representa a diferença entre entradas e saídas de uma conta utilizada como conta corrente, e não um dano.
Em abril de 2023, a Blaze criou um grupo no Whatsapp para atender exclusivamente o advogado. A fase da operação da PF que teve Tomaz entre os alvos investigava um esquema de lavagem de dinheiro que teria beneficiado o senador Weverton Rocha (PDT). A polícia descreveu o advogado como parte da sustentação financeira e patrimonial do senador, com envolvimento de empresas, imóveis, aeronaves e outros operadores.
Tomaz foi preso em 2017 sob suspeita de tentar interferir nas investigações da Operação Greenfield, que apurou fraudes em fundos de pensão.



