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PF apura apostas de R$ 6,6 bilhões feitas por advogado em 18 meses

Willer Tomaz teve prejuízo informado de R$ 188,5 milhões e afirma ter sido diagnosticado com ludopatia em processo contra a Blaze.

PF apura apostas de R$ 6,6 bilhões feitas por advogado em 18 meses
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

A Polícia Federal investiga se o advogado Willer Tomaz de Sousa usou operações de apostas para lavar dinheiro. Entre janeiro de 2025 e julho de 2026, ele movimentou R$ 6,6 bilhões em apostas e acumulou, segundo os dados apresentados por sua defesa, prejuízo de R$ 188,5 milhões.

As informações constam de um processo contra a Blaze, casa de apostas que patrocina o atacante do Santos, Neymar Jr., e manteve contrato com a influenciadora Virgínia Fonseca. O pedido foi protocolado em agosto deste ano e ficou sob sigilo até o começo da tarde desta terça-feira (29).

Valores depositados e funcionamento da conta

No período analisado, Tomaz fez 2.145 depósitos, que somaram R$ 325 milhões. A defesa afirma que o advogado usava os valores em apostas sucessivas até chegar ao volume bilionário movimentado. Os advogados dizem que o total pode ser maior porque não conseguiram acessar os registros anteriores a 2025, embora tenham localizado 55 páginas de depósitos referentes a esse período.

As principais perdas, de acordo com a defesa, ocorreram em mesas de cassino online. As rodadas duravam 30 segundos e permitiam apostas de até R$ 500 mil. Inicialmente, o limite era de R$ 125 mil e teria aumentado após pedidos de Tomaz.

A defesa afirma que a Blaze ofereceu R$ 42,2 milhões em estímulos, descritos como bônus pela assiduidade. Também contesta a diferença entre os limites de depósito e saque: era possível depositar até R$ 500 mil de uma vez, enquanto cada retirada estava limitada a R$ 100 mil.

Em uma noite, segundo o processo, Tomaz solicitou 16 saques de R$ 100.000,00, totalizando R$ 1.600.000,00, entre 00h19 e 00h25. Depois, tentou retirar outros R$ 100.000,00, mas teve a operação bloqueada pelo sistema. Ao final, aplicou R$ 1,9 milhão e restaram R$ 0,29 na conta.

Alegação de ludopatia e investigação

A defesa pediu a devolução dos valores enviados à Blaze e afirmou que Tomaz foi diagnosticado com ludopatia, transtorno associado à perda de controle sobre o impulso de jogar e apostar. Os advogados dizem que ele comunicou o diagnóstico à empresa, solicitou o bloqueio definitivo da conta em três protocolos e enviou uma notificação pré-litigiosa.

A Blaze contestou o uso da palavra prejuízo para descrever as operações. Para a empresa, o movimento líquido representa a diferença entre entradas e saídas de uma conta utilizada como conta corrente, e não um dano.

Em abril de 2023, a Blaze criou um grupo no Whatsapp para atender exclusivamente o advogado. A fase da operação da PF que teve Tomaz entre os alvos investigava um esquema de lavagem de dinheiro que teria beneficiado o senador Weverton Rocha (PDT). A polícia descreveu o advogado como parte da sustentação financeira e patrimonial do senador, com envolvimento de empresas, imóveis, aeronaves e outros operadores.

Tomaz foi preso em 2017 sob suspeita de tentar interferir nas investigações da Operação Greenfield, que apurou fraudes em fundos de pensão.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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