São Paulo, Terça-feira, 22 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,11 · Euro R$ 5,86 · Ibovespa 186.596 -0,00%
A economia explicada todos os dias
Economia

PF vê repasses de R$ 6,1 milhões entre empresas e entidades ligadas a Karina da Gama

Relatório aponta que recursos pagos pelo Instituto Conhecer Brasil a terceirizadas teriam retornado à entidade Academia Nacional de Cultura.

PF aponta triangulação de R$ 6,1 milhões do contrato de wi-fi de SP e indícios de lavagem de dinheiro em entidades ligadas ao filme Dark Horse
Foto: Reprodução/Redes Sociais e Rodrigo Rodrigues/g1

A Polícia Federal identificou indícios de uma triangulação financeira de ao menos R$ 6,1 milhões entre empresas e entidades ligadas à empresária Karina da Gama. A suspeita está em relatório que embasou a autorização do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, para a operação contra a produtora do filme Dark Horse nesta quinta-feira (10).

De acordo com a decisão, os recursos saíram do Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligado a Karina, foram repassados a empresas terceirizadas e depois chegaram à Academia Nacional de Cultura (ANC), organização social da cultura também ligada à empresária.

Empresas citadas no relatório

A PF aponta que a movimentação teria envolvido empresas contratadas para prestar serviços no acordo de wi-fi do ICB com a Prefeitura de São Paulo, cujo valor é de R$ 157 milhões. Entre elas estão a Complexsys Soluções Integradas Ltda. e a Fastfuture Tecnologias Emergentes Ltda., pertencentes ao casal André Feldman e Débora Gomes Feldman.

Também aparecem na investigação a Ultra IP Tecnologia e Serviços Ltda., de William Silva Ferreira, e a Distribuidora de Produtos LMS Ltda. Ferreira também teria recebido recursos relacionados ao contrato de wi-fi.

Os valores destinados à ANC, conforme o relatório, foram:

  • Complexsys: R$ 2. 626.949,69 e R$ 1. 308.986,33;
  • Ultra IP: R$ 1.336.201,50;
  • Fastfuture: R$ 603. 136,12;
  • Distribuidora LMS: R$ 300.000,00;
  • total: R$ 6.175.273,64.

Na decisão, Flávio Dino afirmou que a ANC recebeu recursos de diferentes empresas financiadas pelo ICB. Para o ministro, as operações indicam que valores pagos ao instituto poderiam ter retornado à esfera dos responsáveis pela entidade, com possibilidade de desvio e lavagem de dinheiro.

André Feldman, Débora Gomes Feldman e William Silva Ferreira foram alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal. Os três estão proibidos de deixar o Brasil.

Defesas e posição da prefeitura

A defesa de Karina informou que apresentou uma reclamação constitucional em jurisdição criminal perante a Presidência do STF. Segundo os advogados, a medida não questiona o mérito da investigação, mas busca preservar a autoridade das decisões da Corte e a competência do juiz natural. A defesa também disse que Karina entregou mais de 20 mil laudas de documentos à PF e que colaborou voluntariamente.

A Complexsys declarou que os recursos recebidos foram usados apenas na manutenção da rede de wi-fi de São Paulo e que não há relação com o financiamento do filme. A empresa afirmou ainda que uma perícia independente não encontrou vínculo entre o contrato e a produtora Go UP.

A Prefeitura de São Paulo negou relação entre programas municipais e a produção cinematográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em nota, a administração disse: “A administração municipal reitera que a obra não recebeu recursos municipais.”

A prefeitura afirmou que não identificou irregularidades na assinatura e na execução do termo de colaboração com o ICB. Também informou que o Programa Wifi Livre tem 3.200 pontos instalados e mais de 760 milhões de acessos registrados.

Segundo a administração municipal, o custo atual de manutenção de cada ponto é de R$ 1.280,80. A Controladoria Geral do Município acompanha as investigações e instaurou procedimento em maio de 2026.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.