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PF aponta corretora na Paulista em esquema de lavagem ligado ao tráfico internacional

Investigação afirma que a Marmaris internalizava recursos do exterior por meio do sistema clandestino dólar-cabo.

PF aponta corretora na Paulista em esquema de lavagem ligado ao tráfico internacional
Foto: Rafaela Araújo/Folhapress

A Polícia Federal investiga uma corretora de câmbio instalada em uma galeria na avenida Paulista por suposta participação na lavagem de dinheiro do PCC (Primeiro Comando da Capital) obtido com o tráfico internacional de drogas. Segundo a corporação, a Marmaris Corretora de Câmbio teria internalizado no Brasil valores enviados do exterior por meio do sistema dólar-cabo.

A empresa fica em uma sala pequena, próxima à avenida Brigadeiro Luís Antônio, com um aquário e adesivos de cédulas estrangeiras. A PF afirma que o proprietário, Marcos Alexandre Agustoni, teve participação central na movimentação financeira do grupo. O nome dele surgiu após a quebra do sigilo de um dos investigados.

Valores e apreensões

Mensagens identificadas pelos investigadores indicariam a atuação de Agustoni em uma remessa de US$ 1,7 milhão (R$ 8,67 milhões, na cotação atual) com recebimento previsto em Roterdã, na Holanda. Outras conversas, segundo a PF, tratariam de rotas internacionais do tráfico.

Durante buscas na corretora, foram apreendidos R$ 120,5 mil, US$ 25,9 mil (R$ 132 mil) e 2.625 euros (R$ 15,5 mil) em dinheiro, além de computadores e celulares.

O dólar-cabo funciona por meio de compensações entre países: um operador recebe o dinheiro em um local e outra pessoa disponibiliza o valor correspondente em outro. O acerto posterior ocorre por meios que não fazem parte do sistema bancário oficial.

A defesa de Agustoni, feita pelo advogado Airton Jacob Gonçalves Filho, afirmou em juízo que ele “não tem qualquer ligação com o tráfico de entorpecentes” e que os atos atribuídos a ele seriam apenas financeiros. O caso aguarda julgamento.

Prisão e andamento do processo

A investigação começou em 2021, em João Pessoa, depois da prisão de dois italianos acusados de integrar a máfia italiana 'Ndrangheta. Extraditado a pedido da Itália, Vincenzo Pasquino disse à PF conhecer a ligação entre Agustoni e outros investigados.

A Justiça determinou a prisão do dono da corretora em 2024, durante a deflagração da operação. Ele, porém, deixou o prédio pela escadaria antes da chegada dos agentes federais, depois que funcionários do condomínio demoraram a liberar a entrada da equipe. Agustoni ficou oito meses foragido e foi detido em agosto do ano passado.

Ele foi solto em março deste ano sob medidas cautelares. Usa tornozeleira eletrônica, não pode sair da comarca sem autorização e deve cumprir horário para chegar em casa. Em julho deste ano, a Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo enviou ao TRF-5 (Tribunal Regional Federal da 5ª Região) um relatório sobre possível violação das regras. Os advogados disseram que ele havia buscado as filhas na escola. A Justiça ainda não decidiu sobre o episódio.

A primeira denúncia foi apresentada no ano passado contra Agustoni e outras nove pessoas por organização criminosa e associação para o tráfico. O processo está em fase inicial. O MPF ainda investiga a lavagem de dinheiro em um inquérito separado.

Outras investigações

A PF também afirma que a segurança da corretora era feita por agentes expulsos da Rota, tropa de elite da Polícia Militar de São Paulo, sem identificar os policiais.

Em Santa Catarina, uma investigação aberta no ano passado sobre o PGC (Primeiro Grupo Catarinense), organização apontada como rival do PCC e aliada do Comando Vermelho, descreve uma operação semelhante. O esquema seria liderado por Ângelo Scotti Júnior, conhecido como Cabelo, preso em maio deste ano.

Segundo a investigação, as vendas na Europa envolviam pagamentos fracionados em euro e o envio dos recursos ao Brasil por criptomoedas. Os repasses seriam coordenados pelo empresário Maycon Marcos, dono da Smart Business, financeira que prometia retornos de 3% a 5% ao mês. A PF considera os percentuais superiores aos praticados pelo mercado.

A polícia afirma que conversas interceptadas mostram Maycon tratando Ângelo como “um cliente diferenciado” e perguntando em nome de quem os investimentos seriam registrados, o que, para os investigadores, ajudaria a esconder o verdadeiro titular dos recursos.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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