ITAPETININGA — Ex-funcionários da Ferrovia Paulista S/A (Fepasa) se reuniram em Itapetininga (SP) depois de 45 anos sem um encontro do grupo. A confraternização foi organizada pelo assistente social e ex-ferroviário José Roberto Branco, que localizou antigos colegas por meio das redes sociais.
A reunião ocorreu na casa de um ex-funcionário próxima ao antigo depósito de locomotivas da Fepasa, na Vila Arruda. Depois, os participantes visitaram o espaço e encontraram galpões deteriorados, sem janelas e com pichações. Atualmente, a área está fechada por um alambrado para impedir a entrada de pessoas não autorizadas.
José Roberto afirmou que o local passou a ser responsabilidade da América Latina Logística (ALL) após a privatização da Fepasa. Segundo ele, a estrutura foi desativada e os equipamentos foram vendidos. “Eu já tive várias profissões, mas tenho um sentimento de ferroviário”, disse.
O ex-ferroviário também contou que estudou no local, onde havia uma escola. Segundo ele, o grupo reunido era formado por 10 pessoas, que hoje têm 60 anos. Na avaliação de José Roberto, o espaço poderia ser aproveitado pelo poder público.
O abandono da área já havia sido relatado em 2012, quando moradores apontaram problemas relacionados à presença de usuários de drogas e criminosos. Em 2015, também foram registrados acúmulo de água, lixo e mato alto nos galpões, em um período de aumento dos casos de dengue na cidade.
A Prefeitura de Itapetininga informou que a área pertence ao Governo Federal e é concessionada pela administração municipal até fevereiro de 2027. O contrato deverá ser renovado posteriormente. A gestão também afirmou que realiza reparos e manutenções periódicas e mantém rondas da Guarda Civil Municipal no entorno.
Oficina ao lado da estação
Com o fechamento da oficina da Fepasa na Vila Arruda, no início dos anos 2000, a manutenção de locomotivas e vagões foi transferida para um pavilhão próximo à Estação Ferroviária, na praça Gaspar Ricardo.
A estrutura também apresenta galpões sem janelas, paredes e portas. Um funcionário informou que as operações terminaram em 2012. No início da década de 2010, o local recebia de quatro a cinco trens de carga por dia. Os vagões transportavam madeira, BCP, polietileno e outros materiais.
O último trem a passar pela estação ferroviária de Itapetininga passou em novembro de 2025. Depois da desativação, os vagões vazios foram enviados para Curitiba (PR). Atualmente, funcionários ligados à antiga oficina trabalham principalmente na roçagem e na limpeza do perímetro urbano.
A Rumo informou que o trecho ferroviário de Itapetininga integra a Malha Sul. A concessionária mantém diálogo com o Ministério dos Transportes para avaliar alternativas para o futuro da linha. A empresa afirmou que eventuais decisões sobre aditivos contratuais e destinação de bens serão conduzidas pelo Governo Federal, conforme as diretrizes do poder concedente.



