A malha rodoviária brasileira tem apenas 13% de sua extensão pavimentada, enquanto 62,1% dos trechos avaliados foram classificados como regulares, ruins ou péssimos. Os dados fazem parte da edição de 2026 do Plano CNT de Transporte e Logística, elaborado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT).
O documento reúne 2.837 projetos, com investimento estimado em R$ 2,032 trilhões, e foi elaborado para orientar os governos eleitos em outubro sobre os principais gargalos da infraestrutura de transporte de cargas e passageiros.
Rodovias e ferrovias
Entre as estradas administradas pelo poder público, a parcela de trechos classificados nas três piores categorias chega a 72,8%. Para enfrentar o problema, a CNT propõe recuperar a malha existente, ampliar a capacidade das rodovias, duplicar pistas, pavimentar segmentos ainda sem asfalto e criar novas ligações.
O plano lista 1.177 projetos rodoviários de integração nacional. As intervenções incluem 26,5 mil km de recuperação de pavimento e mais de 10,3 mil km de duplicações.
Quase metade do valor total previsto é destinada a projetos ferroviários. São 115 empreendimentos para construir 25,5 mil km de ferrovias, o que levaria a uma extensão próxima do dobro dos cerca de 32 mil km atuais. O relatório também prevê a recuperação de 14 mil km de trilhos.
A densidade ferroviária passaria de 3,7 km para cada mil km² de área para 6,7 km. Ainda assim, permaneceria abaixo dos quase 30 km de infraestrutura ferroviária por mil km² dos Estados Unidos. Para Fernanda Resende, diretora-executiva da CNT, “Mesmo assim, ficaria muito distante dos quase 30 km de densidade de infraestrutura ferroviária dos Estados Unidos”.
O plano inclui cinco projetos de trens de alta velocidade, que somam 1.556 km e têm custo estimado em R$ 175,4 bilhões. Entre eles está o trem de alta velocidade entre São Paulo e Rio de Janeiro, com ligação também com Campinas.
Estudos para esse eixo começaram em 1981 e foram retomados nos anos 1990. Em 2007, o governo federal incluiu o projeto no Programa Nacional de Desestatização e preparou uma concessão, mas o leilão de 2010 não recebeu interessados. A previsão era iniciar as obras em 2011 e a operação em 2020, mas o empreendimento não avançou.
Transporte urbano
A CNT afirma que o crescimento das cidades e a concentração da população elevaram a demanda por deslocamentos sem que a infraestrutura de transporte coletivo acompanhasse o mesmo ritmo. O diagnóstico associa esse descompasso a viagens mais longas, congestionamentos e maior dependência do transporte individual.
O plano propõe novas linhas ou extensões de metrô e trens urbanos, além de sistemas de monotrilho, VLT e aeromóvel. Também prevê a recuperação e a modernização de ferrovias urbanas para ampliar a velocidade, o conforto e a segurança dos passageiros.
No estado de São Paulo, os projetos incluem 269 km de metrô ou trem urbano, com investimento estimado em cerca de R$ 173 bilhões. Há ainda 170,3 km de monotrilho, VLT ou aeromóvel, avaliados em R$ 20,8 bilhões, e 35,2 km de recuperação de ferrovias urbanas, com R$ 2,3 bilhões. Somados, os projetos ferroviários urbanos no estado superam R$ 196 bilhões.
O relatório também aponta a necessidade de priorizar o transporte coletivo por ônibus. A falta de faixas e corredores exclusivos reduz a velocidade média das viagens e a atratividade do serviço. Fernanda Resende afirma: “É preciso construir sistemas de transporte de massa e não fazer com que o ônibus concorra com o carro”.
A CNT também cita dificuldades para implantar e ampliar projetos metroferroviários, que exigem investimentos elevados e longos períodos de execução em um cenário de limitações orçamentárias e descontinuidade de políticas públicas.
Aviação
Na aviação, o relatório registra forte expansão entre 2003 e 2014, seguida de quase estagnação na década seguinte. Entre 2014 e 2024, o crescimento foi de apenas 0,8%. A CNT relaciona o resultado, entre outros fatores, à saturação de grandes aeroportos e à precariedade de parte da infraestrutura regional. A entidade defende uma malha aérea mais integrada e afirma que ainda há espaço para ampliar a aviação regional.



