SÃO PAULO — A Justiça de São Paulo decidiu que Pedro Camilo Garcia Castro, 24, será levado a júri popular pela acusação de tentar matar a médica Samira Khouri, 27, em um apartamento em Moema, na zona sul da capital. Ele responde por tentativa de feminicídio e continuará preso preventivamente. A data do julgamento ainda não foi definida.
A decisão, assinada pela juíza Luiza Torggler Silva nesta quinta (10), reconheceu quatro agravantes: motivo fútil, meio cruel, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e motivação relacionada ao fato de Samira ser mulher.
Segundo a decisão, o ataque ocorreu em 14 de julho de 2025, aniversário da médica, e teria sido motivado por ciúmes de um amigo gay dela. A magistrada afirmou que Castro continuou as agressões mesmo depois de Samira perder a consciência, com golpes concentrados na cabeça e no pescoço.
Decisões da Justiça
A juíza também rejeitou o pedido da defesa para que o acusado fosse submetido a exame de insanidade mental. Em decisão anterior, a Justiça já havia afastado a alegação de que o uso de anabolizantes, medicamentos controlados e um quadro de bulimia teriam comprometido a capacidade psíquica de Castro.
Após as agressões, o fisiculturista deixou o imóvel sem prestar socorro e fugiu no carro da médica em direção a Santos, no litoral paulista, onde foi preso em flagrante. Câmeras de segurança do edifício, na avenida Pavão, registraram a entrada e a saída dele do apartamento.
Samira sofreu múltiplas fraturas no rosto e ficou 12 dias internada em estado grave na UTI. Castro também teve uma fratura na mão.
A advogada Gabriela Manssur, que representa Samira, afirmou que a decisão pode estimular mulheres a denunciar casos de violência. “A vítima recebeu a decisão com sentimento de alívio e esperança”, disse. O advogado de defesa, Eugenio Malavasi, não respondeu às ligações e mensagens enviadas na manhã desta sexta.



