SÃO PAULO — O fechamento do ateliê My Vintage Dress deixou noivas com casamentos marcados para o mesmo fim de semana sem os vestidos que haviam comprado e pago. Algumas precisaram alugar peças ou buscar alternativas a poucos dias da cerimônia.
Na última segunda-feira (31), clientes descobriram que a loja havia encerrado as atividades, com cerca de 300 encomendas pendentes. Os vestidos custavam mais de R$ 10 mil e, em alguns casos, tinham sido escolhidos meses ou anos antes, durante o planejamento das cerimônias.
Janaína Santos soube da situação três dias antes do casamento e procurou outro ateliê. Giseli Cristina Teixeira precisou alugar um vestido de última hora. Jayne Vitoriano recorreu a uma peça comprada quase dois anos antes, que foi preparada pela mãe para a cerimônia.
Reclamações e investigação
As clientes afirmaram que não receberam respostas individuais e passaram a buscar informações pelas redes sociais. Dezenas de noivas foram até a porta da loja, incluindo Iara, que se casaria na segunda-feira seguinte.
Em comunicado, a My Vintage Dress disse que enfrentava um problema na produção, com impacto nos atendimentos e no cronograma. A proprietária Camila Rossi afirmou que interrompeu as vendas para cumprir as entregas programadas depois que uma funcionária desviou dinheiro das contas do ateliê. Ela pediu desculpas às clientes e declarou que a marca existe há 14 anos e nunca havia deixado de entregar um vestido.
A Polícia Civil de São Paulo abriu um inquérito para investigar a suspeita de estelionato pela empresa. O Procon notificou o ateliê e o convocou a prestar esclarecimentos sobre as reclamações, mas informou que não recebeu resposta às tentativas de contato.
O advogado da My Vintage Dress, Luiz Augusto D'Urso, disse que a funcionária acusada assumiu a gestão financeira, acessou aplicativos bancários, abriu contas em nome do ateliê, emitiu cartões de crédito e fez gastos elevados. “A estimativa, por enquanto, ainda faltando análise pericial, é que essa funcionária tenha desviado em torno de R$ 1 milhão”, afirmou.
Casamentos mantidos
Apesar dos problemas, Janaína, Giseli e Jayne conseguiram chegar ao altar. Jayne retirou o vestido original durante a madrugada e decidiu usar as duas opções que tinha conseguido.
As noivas disseram ter tentado deixar o problema com as roupas em segundo plano diante da cerimônia. “O mais importante é que, independente do vestido, a gente vai chegar lá e vai estar curtindo esse momento”, resumiu Giseli.



