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Como o braille deu autonomia e abriu caminhos para Regina Fátima Caldeira

A trajetória de Regina Fátima Caldeira começou com a alfabetização em braille e chegou à referência internacional na área.

Como o braille deu autonomia e abriu caminhos para Regina Fátima Caldeira
Foto: Arquivo pessoal

Regina Fátima Caldeira encontrou no braille o caminho para ler, estudar, trabalhar e conquistar autonomia. Nascida com glaucoma, ela perdeu a visão ainda na infância e passou a defender a alfabetização de crianças cegas pelo sistema de leitura e escrita em relevo.

A mãe percebeu que havia algo errado quando Regina tinha três meses. A menina virava a cabeça nos dias de sol, incomodada pela luz. Aos sete anos, depois de sentir um jato de areia nos olhos, teve de retirar o olho direito. Com o tempo, perdeu também o que restava da visão do olho esquerdo.

Antes disso, havia aprendido parte do alfabeto em um tabuleiro de letras coloridas dado pela mãe. Queria, porém, ler, escrever e frequentar a escola. Aos oito anos, sua mãe saiu de casa decidida a encontrar uma solução e chegou à Fundação do Livro do Cego no Brasil, hoje Fundação Dorina Nowill.

A entrada na escola

Uma professora passou a preparar Regina para o braille em casa. O diretor da escola estadual onde ela deveria estudar, no entanto, não permitiu inicialmente sua matrícula no curso. A legislação de 1953 garantia o direito de crianças cegas às escolas regulares, mas Regina teve de frequentar as aulas como ouvinte e provar sua capacidade.

A fundação produziu sua primeira cartilha, “Caminho Suave”. Com exceção da letra Z, Regina já conseguia lê-la inteira. Ela também buscava livros na imprensa Braille e repetia a leitura até que chegasse um novo exemplar. “Era desespero de leitura”, lembra.

No exame final, sua prova em braille foi transcrita para tinta por uma professora especializada. Regina tirou 98 e pôde se matricular oficialmente no segundo ano.

Trabalho e defesa da autonomia

Depois de formada, conseguiu uma vaga de telefonista na fundação. Dorina Nowill lhe passava mais de 20 nomes para que fizesse ligações. Regina anotava os nomes com a reglete e, quando Dorina perguntou como ela conseguia memorizar tantos, descobriu que todos eram escritos por ela.

Com o apoio de Dorina, Regina fez um estágio na Espanha, assumiu cargos importantes e se formou em letras. Tornou-se referência internacional no campo do braille. Ao longo da carreira, revisou 72 volumes de “O Tempo e o Vento”.

Regina também é entusiasta da tecnologia, mas afirma que o braille continua essencial para o desenvolvimento cognitivo da criança cega. Para ela, o sistema garante autonomia e privacidade em situações como ler um extrato bancário ou escolher um prato no restaurante.

Sua defesa é pela inclusão, não por privilégios. Regina sustenta que todas as pessoas devem se preparar para usufruir de seus direitos e cumprir seus deveres. No trabalho, encontra no braille uma área em constante evolução, assim como a escrita.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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