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Feira do Livro aposta em autonomia e acesso integral para pessoas com deficiência

Programação em Libras, recursos sensoriais e apoio à circulação ampliaram a participação de visitantes surdos e cegos em Ribeirão Preto.

Feira do Livro aposta em autonomia e acesso integral para pessoas com deficiência
Foto: Murilo Corazza/g1

A participação de pessoas com deficiência na Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto foi planejada para incluir circulação, acesso às informações e presença em toda a programação. O evento ofereceu interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras), atividades sensoriais e estruturas para deslocamento, além de apoio de equipes preparadas para atender o público.

A proposta, segundo Priscilla Altran, vice-presidente da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, é evitar que pessoas com deficiência sejam direcionadas apenas a atividades específicas. "Temos atividades, e esse público precisa ter acesso a todas elas", afirmou.

Livros adaptados e aprendizado

Anderson, estudante do terceiro ano do ensino médio da Escola Estadual Conde Francisco Matarazzo, nasceu cego e está em processo de alfabetização. Durante a visita à feira, ele comprou dois livros em Braille: um sobre carros e outro sobre dinossauros.

O estudante esteve acompanhado do professor de apoio Otton Omar Balthazar, que trabalha com ele desde o começo do ano. Os dois passam cerca de seis horas por dia revisando os conteúdos da escola regular. Anderson já escreve em Braille, mas ainda encontra dificuldade para identificar os pontos menores produzidos pela máquina.

Para desenvolver a sensibilidade das mãos, Otton usa peças maiores na formação das letras. Na feira, também presenteou o aluno com um livro sensorial, que permite explorar diferentes texturas. "Quanto mais ele tiver essa sensibilidade, melhor vai ser a leitura", disse o professor.

A autonomia no deslocamento também faz parte do aprendizado. Na escola, Anderson é incentivado a reconhecer os caminhos até a sala de aula e o banheiro. Na Biblioteca Sinhá Junqueira, a equipe apresentou as rotas disponíveis, verificou se ele poderia usar as escadas e ofereceu o elevador.

Para Otton, o suporte deve estar disponível sem substituir as escolhas do estudante. O professor afirma que pessoas com deficiência visual podem ser excessivamente guiadas e defende que Anderson desenvolva independência.

Comunicação em Libras

Ingrid Loyo, consultora de acessibilidade de 24 anos, é surda e visitou a feira pela segunda vez. Ela relatou que a presença de uma intérprete de Libras facilitou a comunicação e tornou a experiência mais confortável.

Ingrid trabalha na biblioteca do Senac e gosta de ler. Para ela, a relação com os livros também envolve tradução, porque Libras é a primeira língua de parte da comunidade surda, enquanto o português ocupa a posição de segunda língua. Os intérpretes ajudam a explicar palavras, poesias e metáforas.

Durante a visita, Ingrid foi acompanhada por Pamela Cupaiuolo Tognon Oliveira, coordenadora da equipe de acessibilidade em Libras. Com esse apoio, conversou com expositores, pediu informações e acompanhou as atividades do dia.

A feira também distribuiu intérpretes em pontos específicos e em atrações sinalizadas como acessíveis. No balcão de informações, visitantes surdos puderam consultar a programação, identificar atividades com Libras e receber orientações para chegar aos espaços. Na Tenda Sesc Senac, a interpretação acompanhou a programação.

Além de visitar o evento, Ingrid participou como consultora e ajudou a divulgar a programação para a comunidade surda. Ela acompanhou uma oficina de aromaterapia e óleos essenciais, atividade que explorou o olfato e apresentou o conteúdo por meio de uma experiência prática.

Estrutura e acolhimento

A 25ª edição da feira reuniu palestras, oficinas, bate-papos e experiências sensoriais em diferentes espaços de Ribeirão Preto. O planejamento de cada edição considera rampas, banheiros acessíveis, passarelas e rotas de circulação, inclusive em trechos do calçadão com paralelepípedos.

Priscilla também afirma que a acessibilidade inclui a preparação das equipes e a forma de abordagem dos visitantes. Para ela, o acesso começa antes das atividades, com a chegada ao local, a obtenção de informações e a possibilidade de circulação independente.

A programação contou com propostas relacionadas ao tato, à audição, ao olfato e a outros sentidos. As atividades com interpretação foram identificadas no material de divulgação, enquanto profissionais permaneceram disponíveis em áreas do evento para orientar o público.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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