SANTA CATARINA — O cantor Rick, da dupla com Renner, morreu na queda de um helicóptero em Santa Catarina, informou o Corpo de Bombeiros. Outros quatro ocupantes também morreram. Os corpos foram resgatados nesta terça-feira (22), em uma área de mata de difícil acesso na Serra Catarinense, após a aeronave desaparecer na tarde de segunda-feira (21), durante o trajeto entre Porto Belo e São Joaquim.
Os corpos foram encaminhados ao IML (Instituto Médico Legal) de Florianópolis, onde passarão por exames periciais. A análise deve ajudar a determinar as causas das mortes.
O que pode ocorrer antes do impacto
Segundo Maria Camila Lunardi, presidente da Associação Brasileira de Medicina de Emergência, quedas de aeronaves costumam ocorrer de forma muito rápida e com alto impacto. A causa mais frequente das mortes é o politraumatismo, conjunto de lesões graves provocadas pelo choque, mas há outros riscos.
Um incêndio a bordo pode começar antes da queda por falhas elétricas, superaquecimento de componentes do motor ou vazamento de combustível em superfícies quentes. A fumaça pode conter monóxido de carbono, cianeto e gases irritantes. O monóxido de carbono reduz o transporte de oxigênio pelo sangue, enquanto os demais gases podem inflamar e obstruir as vias respiratórias. A vítima pode morrer por asfixia, intoxicação ou queimaduras antes de atingir o solo.
Em aviões comerciais que voam em altitudes elevadas, uma ruptura da cabine ou falha no sistema de pressurização pode causar hipóxia, que é a falta de oxigênio no organismo. O médico legista Osvaldo Sérgio Ortega afirma que a despressurização rápida geralmente não provoca morte instantânea, mas pode comprometer o julgamento, a capacidade de agir e a consciência.
Lesões no choque e após o acidente
A gravidade dos ferimentos depende da velocidade, do ângulo da queda e da deformação da aeronave. O impacto pode causar traumatismo craniano. A desaceleração brusca também pode romper vasos e órgãos internos, como a aorta, o fígado, o baço e os rins.
Mesmo quem sobrevive ao choque inicial pode morrer depois por hemorragia interna e choque hipovolêmico, quando falta volume suficiente para o coração bombear sangue. Lesões no tórax podem provocar pneumotórax hipertensivo, condição em que o ar se acumula sob pressão e compromete o pulmão, a respiração e os batimentos cardíacos.
Também há risco de aspiração de sangue ou vômito, queimaduras e inalação de fumaça. Em acidentes na água, a vítima pode se afogar por não conseguir soltar os cintos, estar atordoada ou ter fraturas. Em águas geladas ou locais frios, a hipotermia pode levar à parada cardíaca.
Após o impacto, o tempo passa a ser determinante. A rapidez do resgate, a presença de fumaça e as condições das saídas de emergência influenciam a possibilidade de abandonar a aeronave.
Como a perícia identifica a causa
A perícia médica cruza os resultados da necropsia com a análise do local do acidente para reconstituir a sequência das lesões. Ortega afirma que não há um sinal isolado absolutamente conclusivo.
A presença de fuligem na traqueia e nos brônquios profundos indica que a vítima respirava durante um incêndio. Já a carboxihemoglobina no sangue mostra que o monóxido de carbono foi absorvido enquanto o coração ainda batia.
A ausência desses sinais, porém, não prova que a morte ocorreu antes do impacto. Uma lesão imediatamente fatal pode impedir qualquer reação do organismo. Segundo Pedro Ferreira, cirurgião do trauma do Centro de Trauma do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), impactos de altíssima energia podem impedir a reconstrução exata da sequência dos acontecimentos.



