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Micos-leões-da-cara-preta recebem vacina contra febre amarela na Mata Atlântica

Três animais foram imunizados no Paraná, e outros seis devem receber a dose em São Paulo na segunda quinzena deste mês.

Micos-leões-da-cara-preta recebem vacina contra febre amarela na Mata Atlântica
Foto: Gabriel Marchi/Divulgação SPVS

Três micos-leões-da-cara-preta foram vacinados contra a febre amarela em julho no Parque Nacional do Superagui, no litoral norte do Paraná. Outros seis animais devem ser imunizados na segunda quinzena deste mês no Parque Lagamar de Cananéia, no litoral sul de São Paulo.

A iniciativa ocorre na Mata Atlântica, onde vivem cerca de 400 exemplares da espécie, ameaçada de extinção. É a primeira vez que a vacina é aplicada em micos-leões-da-cara-preta vivendo na natureza, em uma área entre São Paulo e Paraná.

“Como a espécie tem poucos indivíduos e não tem indícios de aumento desta população, fazemos ações de manejo para que esta espécie continue na natureza”, afirma a bióloga Elenise Sipinski, da SPVS (Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental), responsável pela aplicação das vacinas em Superagui. Segundo ela, os primatas são sensíveis à febre amarela.

Monitoramento e resposta à vacina

A vacinação foi planejada depois de um surto de febre amarela entre bugios, saguis, macacos-pregos e micos-leões-dourados registrado entre 2017 e 2018, especialmente no Rio de Janeiro. A doença é transmitida pela picada de mosquitos infectados com o vírus.

Após o episódio, pesquisadores da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) começaram a desenvolver uma possível vacina dentro do Plano de Ação Nacional para a Conservação de Primatas da Mata Atlântica, coordenado pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). Também passou a ser usada nos animais uma adaptação do imunizante destinado a humanos, com vírus vivo atenuado.

No fim de 2020, grupos de micos-leões-dourados foram vacinados na região pela Associação Mico-Leão-Dourado. As duas espécies são consideradas próximas, e os pesquisadores avaliam que a febre amarela também pode representar uma ameaça potencial ao mico-leão-da-cara-preta, conhecido ainda como mico-leão-caiçara (Leontopithecus caissara).

Os animais de Superagui foram recapturados em 28 de agosto, quase dois meses depois da vacinação. A equipe coletou novamente o sangue de dois machos e uma fêmea adultos para analisar a resposta ao imunizante. Os resultados ainda não foram divulgados. A expectativa é que uma dose ofereça proteção por toda a vida.

SPVS e Fundação Florestal monitoram alguns animais diariamente com colares ligados a um sistema de rádio de telemetria. O equipamento ajuda na captura para a vacinação. “Já estamos planejando capturar outros dois grupos para vacinar ainda este ano”, diz Sipinski.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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