O Banco do Japão elevou nesta sexta-feira (18) a taxa básica de juros para 1,25%, o maior nível em 31 anos. A autoridade monetária também indicou que poderá aumentar novamente os juros para conter a inflação, que desacelerou para 1,7% em agosto.
A decisão de elevar a taxa em 0,25 ponto percentual foi aprovada por sete votos a dois. O resultado já era esperado pelo mercado, em um cenário de preços de energia mais altos, fragilidade do iene e juros elevados nos Estados Unidos e na União Europeia.
A alta dos custos dos empréstimos ocorre sob pressão adicional da previsão de analistas de que o aumento do petróleo provocado pela guerra no Oriente Médio continuará afetando a inflação. Para conter os preços, o governo japonês adotou subsídios para a gasolina e a eletricidade.
Iene recua após decisão
Depois do anúncio, o iene caiu ao menor nível em duas semanas diante do dólar. A moeda foi negociada a 157,84 ienes por US$ 1, em alta de 1,52% ante o fechamento do dia anterior.
A decisão também levantou dúvidas sobre a possibilidade de novos aumentos de juros. O iene havia subido acentuadamente no início de setembro, alcançando o maior nível desde fevereiro, apoiado pela expectativa de que o Banco do Japão começaria uma sequência de elevações.
Ray Attrill, chefe de estratégia cambial do National Australia Bank, afirmou que a decisão ficou abaixo das expectativas e destacou a falta de unanimidade na votação. Para Frantisek Taborsky, estrategista de câmbio do ING, o comunicado trouxe poucos sinais adicionais de uma política mais rigorosa que pudessem apoiar a valorização da moeda.
Os operadores também acompanharam o risco de intervenção para sustentar o iene. A ministra das Finanças, Satsuki Katayama, disse que Tóquio não hesitará em adotar novas ações coordenadas, após uma iniciativa conjunta dos Estados Unidos e do Japão para fortalecer a moeda no fim de julho.



