O dólar recuava 0,74%, a R$ 5,106, enquanto a Bolsa avançava 0,79%, a 186.705 pontos, por volta das 15h30 desta segunda-feira (21). O movimento acompanhava a queda dos preços do petróleo no exterior e a repercussão do cenário eleitoral brasileiro entre investidores.
A baixa da commodity reduz os temores de pressão sobre a inflação e os juros no mundo, favorecendo a procura por ativos de mercados emergentes, como o Brasil. Na mínima, o barril de Brent, referência mundial, recuou 3,5%, a US$ 100,22. O WTI chegou a cair a US$ 91,60, uma desvalorização de 4,66%.
Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, a permanência do petróleo em níveis elevados poderia aumentar as pressões inflacionárias e limitar a margem dos bancos centrais para flexibilizar a política monetária. A redução do prêmio de risco geopolítico, por outro lado, melhora o ambiente para ativos de risco.
A queda do petróleo ocorre em meio à expectativa de analistas sobre uma possível trégua no conflito no Oriente Médio e à normalização do tráfego no estreito de Hormuz, por onde escoava cerca de 20% do petróleo e do gás consumidos no mundo. A expectativa de negociações contrasta com sinais de escalada do conflito. No sábado (19), os arredores do principal aeroporto de Riad, capital da Arábia Saudita, foram atacados. Os houthis reivindicaram a ofensiva.
Cenário eleitoral e política fiscal
No ambiente doméstico, pesquisas presidenciais que mostram empate técnico entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) também influenciam a percepção dos investidores sobre uma possível alternância de poder e uma nova política fiscal.
A pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (21) aponta Lula com 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 37% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, o presidente aparece com 46%, ante 45% do senador. Os dois cenários configuram empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.
Na semana passada, o Datafolha mostrou os dois candidatos também empatados tecnicamente no primeiro turno, com 39% para Lula e 36% para Flávio. No segundo turno, o presidente tinha 46%, contra 44% do senador.
Leonardo Mendes, consultor financeiro da Manchester Investimentos, afirmou que o cenário eleitoral pode prevalecer em alguns momentos sobre as pressões externas, conforme o mercado revise sua percepção sobre a trajetória fiscal e o espaço para juros mais baixos no Brasil.
Parte dos analistas avalia que Flávio tem discurso mais alinhado à disciplina fiscal do que Lula. O senador afirma que, se eleito, fará ajuste fiscal, com redução de despesas e impostos. Uma percepção de maior controle da trajetória da dívida pode reduzir o prêmio de risco exigido para financiar o governo e aliviar a pressão sobre a curva de juros.
Agenda internacional e indicadores
Nos Estados Unidos, S&P 500, Dow Jones e Nasdaq avançavam 1,45%, 0,74% e 2,17%, respectivamente. Os rendimentos dos Treasuries de 2, 10 e 30 anos recuavam, movimento associado à alta dos preços dos títulos.
Donald Trump sinalizou estar aberto a um encontro com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, nesta semana. O Irã também indicou disposição para retomar negociações. Nesta segunda-feira (21), os EUA anunciaram que todas as companhias aéreas iranianas terão suas operações interrompidas a partir desta quarta-feira (23).
A Assembleia Geral das Nações Unidas começa nesta terça-feira (22), quando Lula fará um discurso. Trump e Xi Jinping devem se reunir em Washington na quinta-feira (24), após a chegada do líder chinês na quarta-feira (23), para discutir temas como inteligência artificial e comércio.
Também na terça-feira (22), o Banco Central divulgará a ata do Copom, com detalhes sobre o balanço de riscos considerado pela autarquia diante do cenário externo. Na sexta-feira (25), será divulgado o IPCA-15 de setembro, prévia do principal indicador de inflação do país.


