A Bolsa brasileira subia nesta terça-feira (15), impulsionada pela valorização do petróleo e pela alta das ações de empresas do setor. O mercado também acompanhava a crise no Supremo Tribunal Federal (STF), o conflito envolvendo o Irã e as decisões de juros previstas para quarta-feira (16).
Por volta das 13h25, o Ibovespa avançava 0,58%, aos 186.590 pontos. No mesmo horário, o dólar recuava 0,02%, cotado a R$ 5,146. As ações da Petrobras subiam 3% e correspondiam a cerca de 13% do Ibovespa.
O petróleo Brent, referência mundial, chegou a avançar 2,88%, a US$ 108,73. A alta ocorre em meio à escalada da guerra no Oriente Médio e aos riscos para as exportações sauditas pelo Mar Vermelho, depois da obstrução do estreito de Hormuz. Antes do conflito, a passagem respondia pela circulação de cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás.
Inflação e decisões de juros
O aumento dos preços do petróleo elevou a cautela dos investidores com a possibilidade de inflação mais alta e de juros mantidos em níveis elevados por mais tempo. O tema está no radar das reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, e do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, marcadas para quarta-feira (16).
O Boletim Focus previa que o IPCA encerraria 2026 em 4,90%, acima do teto da meta de inflação, de 4,5%. A meta tem centro de 3% e tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Nos Estados Unidos, o CPI subiu 0,4% em agosto. No acumulado de 12 meses até agosto, a inflação ficou em 3,4%. Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos atingiram o maior nível desde 2007, diante da perspectiva de juros mais altos.
Analistas previam que o Fed elevasse a taxa para a faixa de 3,75% a 4%, ante os atuais 3,5% a 3,75%. No Brasil, a expectativa era de redução da Selic para 13,75%, ante os atuais 14%.
Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil, afirmou: “O petróleo segue funcionando como principal termômetro do apetite por risco.”
STF no radar dos investidores
O pregão também começou com a sessão que analisaria a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Mensagens recuperadas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro, do Banco Master, indicaram a atuação do ministro em favor do ex-banqueiro.
A divulgação das mensagens levou ao afastamento de Moraes da relatoria do inquérito das fake news. André Mendonça, relator dos casos do Banco Master e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), também deixou o caso que apura a ligação entre Moraes e Vorcaro.
Na segunda-feira (14), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse estar “aberto” ao diálogo com Teerã. Mohsen Rezaei, chefe da principal instância de segurança do Irã, condicionou a retomada das negociações ao atendimento das exigências iranianas.
No mercado, a avaliação predominante era de que o desgaste do STF poderia favorecer mais a campanha de Flávio Bolsonaro do que a de Lula. Investidores também acompanhavam como os candidatos se posicionariam sobre a continuidade das investigações e sobre o julgamento envolvendo Moraes e Vorcaro.



