O dólar recuava nesta segunda-feira (21), influenciado pela queda dos preços do petróleo no exterior e pelo cenário eleitoral brasileiro. Por volta das 15h30, a moeda americana caía 0,74%, a R$ 5,106. No mesmo horário, a Bolsa subia 0,79%, aos 186.705 pontos.
A baixa do petróleo reduz os temores de novas pressões sobre a inflação e os juros globais, além de favorecer a procura por ativos de mercados emergentes, como o Brasil. O Brent, referência mundial, chegou a recuar 3,5%, para US$ 100,22. O WTI caiu 4,66%, a US$ 91,60.
A movimentação ocorre em meio à expectativa de uma possível trégua no conflito no Oriente Médio e à normalização do tráfego no estreito de Hormuz, por onde era escoada cerca de 20% do petróleo e do gás consumidos no mundo. Nos Estados Unidos, S&P 500, Dow Jones e Nasdaq avançavam 1,45%, 0,74% e 2,17%, respectivamente.
Eleições e política fiscal
As pesquisas presidenciais também estão no radar dos investidores. Levantamento BTG/Nexus divulgado nesta segunda-feira (21) mostrou Lula (PT) com 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 37% de Flávio Bolsonaro (PL). No segundo turno, os percentuais eram de 46% e 45%. Os dois cenários indicam empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.
O cenário eleitoral influencia a percepção do mercado sobre uma possível alternância de poder e uma nova política fiscal. Parte dos analistas avalia que Flávio Bolsonaro tem discurso mais alinhado à disciplina fiscal. O senador afirma que, se eleito, reduzirá despesas e impostos.
Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, a queda do petróleo melhora o ambiente para ativos de risco ao aliviar parte das pressões inflacionárias. Leonardo Mendes, consultor financeiro da Manchester Investimentos, afirmou que a percepção sobre a trajetória fiscal pode, em determinados momentos, prevalecer sobre as pressões externas e pressionar o dólar para baixo.
Nesta semana, o mercado acompanha a Assembleia Geral da ONU, com discurso de Lula a partir de terça-feira (22), o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, previsto para quinta-feira (24), e a ata do Copom, que será divulgada na terça-feira (22). Na sexta-feira (25), será publicado o IPCA-15 de setembro.


