A família de Júlia Bossoni, de 21 anos, entrou com ações cível e criminal contra o Hopi Hari depois que a jovem sofreu traumatismo cranioencefálico e perdeu movimentos após andar na montanha-russa Montezum. A família afirma que o parque deixou de prestar assistência depois da alta hospitalar. O caso é investigado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP).
A ação conjunta tem mais de 800 páginas e reúne o histórico médico da jovem. Segundo a família, representantes do parque prometeram ajuda financeira semanal para despesas com fraldas, remédios e cadeira de rodas, mas deixaram de responder à advogada. O único pagamento feito após a alta foi de R$ 7 mil, referente ao transporte de ambulância até o Paraná.
A mãe, Danielle, afirma que o seguro acionado pelo parque custeou hospedagem e alimentação da família por dois meses em Vinhedo, mas não cobriu despesas diretamente relacionadas ao tratamento de Júlia. Para contratar uma equipe de neurocirurgiões que não atendia pelo plano de saúde, a família pagou R$ 70 mil, arrecadados por meio de uma vaquinha.
Tratamento e novas cirurgias
De acordo com o laudo médico, o traumatismo foi provocado por um mecanismo de contragolpe durante o percurso. O neurocirurgião Victor Batistela afirma que movimentos bruscos de aceleração, desaceleração e rotação do crânio podem romper vasos sanguíneos cerebrais.
Júlia voltou a ser internada entre 4 de agosto e 5 de setembro para passar por novas cirurgias. Durante um procedimento para recolocar a calota craniana, os médicos identificaram que o couro cabeludo havia aderido diretamente ao cérebro. A cirurgia, inicialmente estimada em uma hora e meia, durou mais de cinco horas. Depois, a jovem também passou por procedimentos para tratar hidrocefalia.
A família relata que Júlia apresentou regressão nos movimentos, na fala e nas reações. Atualmente, ela faz sessões diárias de fisioterapia, fonoaudiologia e eletromodulação.
Outros relatos e resposta do parque
O texto também reúne relatos de Nathalia Assenjo Motta, que sofreu uma lesão cervical após andar na Montezum em 2018, e de Márcio, que ficou tetraplégico depois de usar a atração em 2014 e morreu em 2023 por complicações de uma infecção urinária. Nathalia recebeu indenização do Hopi Hari por danos materiais.
O parque afirma que a Montezum tem certificação internacional do Grupo TUV Nord e passa por inspeções anuais. Também diz seguir a norma ABNT NBR 15926-2023 e manter sinalização, avisos sonoros e orientações sobre riscos e restrições antes do embarque.
Segundo o Hopi Hari, Júlia usou a atração duas vezes no mesmo dia, às 11h e por volta de 16h30. O parque afirma que o episódio ocorreu na segunda passagem, quando ela teve uma convulsão, recebeu primeiros socorros no ambulatório e foi encaminhada à Santa Casa de Vinhedo. A direção diz ter acompanhado o atendimento e custeado despesas durante a permanência da família na cidade.
O Hopi Hari também declara que o Ministério Público não identificou risco coletivo, defeito no projeto ou negligência na atração. Sobre os cerca de 40 registros de reclamações nos últimos dois anos, o parque afirma que eles correspondem a aproximadamente 1,2 milhão de visitantes no mesmo período e que os casos são avaliados pelo Serviço de Atendimento ao Visitante.



