São Paulo, Terça-feira, 22 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,11 · Euro R$ 5,86 · Ibovespa 186.596 -0,00%
A economia explicada todos os dias
Economia

Brasil leva tarifas dos EUA à OMC em reunião sem expectativa de acordo

Consultas em Genebra são a primeira etapa do processo, que pode avançar para um painel caso não haja solução.

Brasil leva tarifas dos EUA à OMC em reunião sem expectativa de acordo
Foto: AFP

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva questionará os Estados Unidos nesta sexta-feira (25), na Organização Mundial do Comércio (OMC), sobre tarifas impostas ao Brasil pela gestão de Donald Trump. As medidas chegam a 37,5% para alguns setores.

A reunião em Genebra, na Suíça, é considerada protocolar por integrantes do governo brasileiro, que não esperam uma solução para o conflito comercial nesta fase. As consultas são a primeira etapa do mecanismo de solução de controvérsias da OMC.

O Brasil apresentou o pedido à organização internacional em 27 de julho. O governo argumenta que as tarifas violam normas da OMC e anulam princípios que deveriam ser aplicados a todos os países nas regras internacionais de comércio.

Tarifas contestadas

A ação questiona uma sobretaxa de 25%, aplicada sob a alegação de práticas comerciais injustas, e uma tarifa de 12,5%, baseada em uma apuração sobre supostas falhas no combate à importação de produtos fabricados com uso de trabalho forçado.

Cálculos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que 16,5% das exportações brasileiras aos Estados Unidos estão sujeitas às duas medidas ao mesmo tempo. Nesses casos, a taxa acumulada chega a 37,5%. A incidência conjunta alcança produtos como máquinas e equipamentos, madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções.

O governo brasileiro também espera que os Estados Unidos não autorizem a participação da China nas consultas. Em um pedido formal à OMC, o país asiático afirmou ter “interesse comercial substancial” no caso. Pelas regras da entidade, Brasil e Estados Unidos precisam autorizar a entrada de um terceiro membro nas consultas.

No Palácio do Planalto, o recurso à OMC é visto como um gesto simbólico para marcar a posição brasileira em defesa do sistema multilateral de solução de disputas comerciais.

Se as consultas não resolverem a disputa, o Brasil poderá pedir a abertura de um painel. Essa segunda etapa prevê três integrantes escolhidos em comum acordo, apresentação de petições escritas e participação em audiências. Ao final, o painel produz um relatório sobre as medidas contestadas e sua compatibilidade com os acordos da organização.

O prazo teórico para o relatório é de até seis meses, prorrogáveis por mais três. Na prática, essa fase tem durado cerca de 12 meses e pode chegar a cinco anos em casos de maior complexidade.

A parte derrotada pode recorrer ao Órgão de Apelação, terceira e última etapa. O colegiado pode manter, modificar ou reverter as conclusões do painel, com decisão de implementação obrigatória pelos países-membros. Essa instância está paralisada desde 2019.

No ano passado, o Brasil havia apresentado uma primeira ação contra os Estados Unidos por causa de uma tarifa de 40%, justificada pela alegação de que o ex-presidente Jair Bolsonaro estava submetido a uma “caça às bruxas”. Cerca de duas semanas depois, o governo de Donald Trump aceitou as consultas, mas disse que as queixas do Itamaraty tratavam de segurança nacional e não estavam sujeitas à revisão da OMC. As tarifas foram declaradas ilegais pela Suprema Corte americana.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.