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Brasil busca transformar interesse global em negócios de maior valor

Mudanças nas prioridades de governos e empresas ampliam oportunidades para o país em energia, minerais, infraestrutura e indústria.

Brasil busca transformar interesse global em negócios de maior valor
Foto: Rubens Cavallari/Folhapress

A reorganização das cadeias produtivas globais ampliou o espaço da América Latina nas decisões de governos e empresas. O Brasil pode usar esse movimento não apenas para atrair capital, mas para definir uma posição nas etapas de maior valor de setores estratégicos.

Conversas internacionais sobre clima passaram a incluir segurança alimentar, oferta de energia, capacidade de defesa e acesso a minerais críticos. A Europa busca reduzir vulnerabilidades e diversificar parceiros; os Estados Unidos aumentam a atenção a minerais e insumos estratégicos; e a China mantém presença com capital e tecnologia.

Mais do que exportar matérias-primas

A disputa por recursos pode abrir oportunidades para a região, mas o resultado dependerá da capacidade brasileira de estabelecer prioridades próprias. O país tem ativos procurados no exterior, porém sua posição nas novas cadeias produtivas será determinada pelo valor que conseguir criar a partir deles.

Exportar matérias-primas e importar tecnologias pode integrar o Brasil a essas relações. Uma posição mais sofisticada exige construir empresas, adaptar soluções às condições locais e participar de etapas avançadas da produção. Para isso, as negociações de investimento precisam apresentar negócios capazes de crescer, gerar retorno e alcançar escala.

Infraestrutura, novas energias, como biometano e biocombustíveis, e projetos de industrialização estão entre as frentes que podem dar forma a essa agenda. Redes e sistemas de armazenamento podem ampliar o uso de fontes renováveis. Energia competitiva pode favorecer a irrigação e a produtividade agrícola. Na indústria, a adaptação tecnológica pode apoiar o surgimento de novas cadeias.

Em muitos desses setores, o capital só alcança seu potencial quando o negócio é estruturado em torno da empresa. Isso envolve reunir parceiros, estabelecer contratos, adaptar tecnologias e garantir condições comerciais para o crescimento. Há recursos interessados, mas eles precisam encontrar projetos preparados para receber investimento em escala.

Coordenação e previsibilidade

O Brasil avançou em instrumentos de financiamento e regras para esses mercados. Ainda existe, porém, uma distância entre os recursos disponíveis e os negócios prontos para recebê-los. Reduzir esse intervalo depende de execução, conhecimento setorial e coordenação entre empresas, investidores e poder público.

A atuação pública de longo prazo é necessária para oferecer previsibilidade por meio de regras claras, infraestrutura, financiamento e mecanismos de redução de riscos. Também cabe articular pesquisa, desenvolvimento e adaptação tecnológica às necessidades brasileiras, sem substituir o capital privado.

A sociedade civil pode cobrar integridade, impacto e resultados, aproximar projetos das necessidades dos territórios e ampliar sua legitimidade. A transição precisa ser tratada como parte do desenvolvimento econômico, e não como uma agenda separada.

A confiança também influencia as decisões. Para investidores que comprometem recursos por muitos anos, o câmbio é apenas um dos elementos de risco. Segurança jurídica, previsibilidade regulatória e estabilidade institucional afetam tanto a disposição para investir quanto o custo do capital.

Há abertura nas conversas internacionais para discutir necessidades industriais, projetos específicos e parcerias de longo prazo. Interesse, porém, não representa compromisso de investimento. As perguntas centrais são quem executará os negócios, como os riscos serão distribuídos e onde ficará o retorno.

A oportunidade brasileira dependerá da capacidade de apresentar projetos consistentes, instituições confiáveis e uma visão própria de desenvolvimento. O espaço conquistado pela América Latina no mapa do capital poderá se converter em crescimento de empresas no Brasil se parte relevante do valor gerado permanecer no país.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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