SÃO PAULO — A intenção de investimento da indústria brasileira caiu em setembro ao menor nível desde agosto de 2020, segundo a Sondagem Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O indicador passou de 52,6 para 51,3 pontos, na quinta queda consecutiva. Desde maio, o recuo acumulado é de 3,5 pontos.
O índice é calculado a partir de quatro indicadores de expectativa: demanda por produtos, compra de insumos e matérias-primas, quantidade exportada e número de empregados. Todos diminuíram no mês, com maior impacto da perspectiva de demanda.
Para Marcelo Azevedo, gerente de análise econômica da CNI, a queda está relacionada à perda de ritmo da atividade industrial e ao aumento das incertezas. “A queda expressiva da intenção de investimento reflete um quadro que a gente já vem acompanhando de perda de ritmo da atividade industrial”, afirmou.
Produção e capacidade instalada
O índice de evolução da produção industrial caiu 4,7 pontos entre julho e agosto, para 46,3 pontos. O resultado ficou abaixo de 50 pontos, faixa considerada positiva, e foi o pior para o indicador desde 2015, período em que a economia brasileira passava por recessão.
A Utilização da Capacidade Instalada (UCI), que indica quanto da capacidade máxima de produção está em uso, recuou 1 ponto percentual e chegou a 69%. O nível de utilização do parque fabril ficou 2 pontos percentuais abaixo da média histórica para agosto.
Azevedo também associou parte do resultado às incertezas eleitorais. “A proximidade das eleições traz um certo grau de imprevisibilidade”, disse. Segundo ele, esse cenário torna as empresas mais cautelosas para investir, produzir e contratar.
O dado mais recente do IBGE sobre a produção industrial, referente a julho, registrou alta mensal de 0,2%. Nos dois meses anteriores, o indicador havia caído.



