PARANÁ — O governo do Paraná chega ao fim de 2026 com aumento dos investimentos, redução da dívida e classificação A+ em Capacidade de Pagamento (Capag), mas também com menor saldo em caixa e piora nos resultados fiscais nos dois últimos anos do mandato de Ratinho Junior (PSD).
O estado permaneceu sete anos com as contas no azul. Em 2025, tinha cerca de R$ 10 bilhões em recursos não vinculados, o maior volume disponível entre os estados brasileiros. O valor, porém, representou queda real de 20% em relação ao fim de 2022, quando foi registrado o maior resultado do governo atual. A disponibilidade recuou de 24% da Receita Corrente Líquida (RCL) para 15%. Dados preliminares apontam nova redução em 2026.
Resultado fiscal e investimentos
Em 2025, o Paraná registrou os primeiros déficits orçamentário e primário desde 2017. O resultado orçamentário considera a diferença entre todas as receitas e despesas. Já o primário exclui operações financeiras e juros da dívida. Para 2026, o Orçamento projeta resultado zero no primeiro indicador e saldo positivo no segundo.
A Secretaria da Fazenda afirma que a mudança decorre do uso planejado de parte dos recursos acumulados para ampliar investimentos e reduzir impostos. A pasta também atribui a perda de dinamismo da receita à redução da alíquota do IPVA e ao fim da compensação pelas perdas com a diminuição de alíquotas do ICMS prevista na Lei Complementar 194. Os repasses foram feitos de 2023 a 2025.
A alíquota do IPVA caiu de 3,5% para 1,9% em 2026. Para frotas de aluguel, foi mantida em 1%. Segundo a secretaria, a perda de arrecadação ficou abaixo da previsão inicial, favorecida pelo retorno ao Paraná de veículos antes registrados em outros estados.
Os investimentos cresceram 37% entre 2019 e 2022, na comparação com os quatro anos anteriores, e devem avançar 32% no período de 2023 a 2026, considerando a projeção orçamentária deste ano. Os valores empenhados devem superar R$ 7 bilhões pelo segundo ano consecutivo. O governo afirma que 2026 terá o maior volume de investimentos da história do estado, impulsionado por obras estruturantes.
Dívida, pessoal e previdência
Mesmo com a redução do caixa, os recursos disponíveis continuam acima das dívidas. Paraná, Espírito Santo, Amapá e Mato Grosso têm dívida líquida negativa. Em abril de 2026, o Paraná era credor líquido em 3% da RCL, com ativos R$ 2,3 bilhões superiores ao valor devido. No fim de 2025, essa diferença era de R$ 3,5 bilhões, equivalente a 5% da RCL.
A dívida bruta caiu de 63,6% da RCL em 2018 para 38,4% em 2025. Em agosto de 2026, a dívida com a União era de R$ 14,2 bilhões. O limite de endividamento estadual é de 200% da RCL.
O Paraná não aderiu ao Propag, programa aprovado em 2025 para renegociar dívidas estaduais com a União. A Secretaria da Fazenda diz que as condições atuais não estão alinhadas à situação fiscal e aos objetivos de médio e longo prazo do estado.
O gasto com pessoal, praticamente estável no primeiro mandato em relação aos quatro anos anteriores, deve crescer 30% entre 2023 e 2026. O déficit previdenciário projetado no Orçamento é 40% superior ao resultado de 2018.
Em 2022, as despesas com pessoal e o déficit previdenciário correspondiam a 40,67% e 8,60% da RCL, respectivamente. Em 2025, os índices subiram para 42,41% e 9,40%, ainda abaixo dos níveis registrados no fim do governo anterior, em 2018. A secretaria atribui o aumento à reestruturação de carreiras, ao reajuste geral concedido em 2023 e ao crescimento da folha de servidores ativos e inativos.



