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Juros menores no Brasil reduzem diferencial, mas ativos locais mantêm apelo

Selic em 13,75% ainda sustenta a renda fixa brasileira, enquanto petróleo e fluxos para data centers favorecem o país.

Juros menores no Brasil reduzem diferencial, mas ativos locais mantêm apelo
Foto: Amanda Perobelli/REUTERS

O Banco Central reduziu a Selic para 13,75% na última quarta-feira (16), enquanto o Federal Reserve elevou os juros dos Estados Unidos para a faixa entre 3,75% e 4%. A mudança diminuiu a diferença entre as taxas dos dois países, mas analistas avaliam que os ativos brasileiros continuam atraentes para investidores estrangeiros.

A redução do diferencial tende a tornar os Treasuries, títulos soberanos americanos, relativamente mais atrativos. Quando os juros dos EUA sobem, aumenta o incentivo para direcionar recursos à renda fixa americana, considerada de menor risco, em vez de investir em mercados emergentes.

Ainda assim, o nível da Selic, a alta do petróleo e o relativo isolamento geopolítico do Brasil diante dos conflitos globais sustentam o interesse pelo país. Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, a distância entre os juros brasileiros e americanos continua ampla. “Os investidores ainda conseguem ver o Brasil como um lugar atrativo”, afirmou.

Kayo disse que a combinação de queda dos juros no Brasil e alta nos EUA reduz o estímulo aos investimentos locais, mas não necessariamente interrompe o fluxo de recursos. O efeito, segundo ele, é a diminuição desse incentivo.

Expectativas para os juros

A ferramenta FedWatch, do CME Group, indicava na manhã deste domingo (20) uma probabilidade de 57% de nova alta dos juros americanos para a faixa entre 4% e 4,25% na reunião de outubro do Fed. No Brasil, as Opções de Copom, da B3, apontavam que 57% das posições esperavam outra redução da Selic, para 13,5%, em novembro.

A diferença menor entre os juros também pode contribuir para a valorização do dólar diante de moedas emergentes, como o real. Além disso, reduz o incentivo ao carry trade, estratégia em que investidores captam recursos em países com juros relativamente baixos e aplicam em economias com taxas mais altas para obter ganhos com essa diferença.

Outros fatores, porém, têm pesado na avaliação dos ativos brasileiros. A escalada do conflito envolvendo o Irã e outros países do Oriente Médio levou o petróleo a níveis acima de US$ 100 (R$ 515). Como o Brasil é exportador da commodity, empresas do setor podem ser favorecidas.

Rachel de Sá, estrategista de investimentos da XP, também citou os ganhos de arrecadação associados às exportações de petróleo e a posição geopolítica brasileira. Para ela, esses elementos ajudam a colocar o Brasil entre os mercados emergentes que atraem capital.

O país também tem recebido investimentos estrangeiros em data centers. Em maio, a Ascenty anunciou um investimento de R$ 30 bilhões no interior de São Paulo. Rachel afirmou que investidores estrangeiros avaliam não apenas o diferencial de juros, mas também a atratividade das empresas e o espaço da Bolsa brasileira em suas estratégias.

A perda de força do trade de inteligência artificial, movimento de concentração de investimentos em empresas ligadas à tecnologia, também influencia a rotação global. Com menos novidades após a temporada de balanços nos Estados Unidos, a redução desse movimento pode beneficiar ativos brasileiros, segundo Rachel.

Para 2027, a ferramenta do CME Group precifica a possibilidade de os juros americanos chegarem a 4,5%, enquanto o Boletim Focus aponta uma Selic de 12% no Brasil. Álvaro Frasson, estrategista macro do BTG Pactual Portfolio Solutions, avalia que a desaceleração da economia brasileira pode abrir espaço para taxas menores.

A edição mais recente do Boletim Focus, divulgada no último dia 14, estima crescimento de 1,45% do PIB em 2027, ante 1,89% no fim de 2026. As incertezas sobre o cenário externo e a política fiscal dificultam a definição da trajetória dos juros, segundo Frasson.

Renda fixa continua no radar

Mesmo após a redução, a Selic em 13,75% mantém a renda fixa brasileira atrativa, sobretudo os investimentos pós-fixados. Nos Estados Unidos, os rendimentos dos Treasuries subiram com a perspectiva de juros mais altos. A taxa do título de dois anos chegou a 4,745% no pico da semana, maior nível desde 2024.

Quando o rendimento de um título sobe, seu preço tende a cair, porque os investidores passam a exigir uma remuneração maior. Na direção oposta, o aumento da demanda eleva o preço e reduz o rendimento.

No Brasil, a expectativa de continuidade dos cortes da Selic aumentou o interesse pelos títulos prefixados. Esses papéis permitem fixar uma taxa antes de uma eventual queda dos juros. Rachel disse que a XP elevou a exposição à classe no início de setembro, diante da expectativa de continuidade do ciclo de redução e da avaliação de que as taxas oferecem um prêmio.

Frasson considera os pós-fixados uma alternativa diante das incertezas sobre os juros no exterior e no Brasil. Para o estrategista, essa classe pode funcionar como proteção contra uma volatilidade excessiva nas alocações.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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