A Selic caiu para 13,75% ao ano após decisão do Banco Central nesta quarta-feira (16), mas o nível dos juros ainda mantém a renda fixa atrativa para investidores que buscam rentabilidade com menor risco. A redução, porém, altera a relação entre as modalidades e abre espaço para prefixados e títulos atrelados à inflação, principalmente para quem pode manter o dinheiro aplicado por mais tempo.
Os pós-fixados continuam oferecendo retornos elevados e menor volatilidade. José Tolipan, sócio e gerente de portfólio do BTG Pactual, avalia que o corte não muda de forma relevante esse cenário. Para ele, apesar da redução da rentabilidade, a taxa ainda proporciona retorno elevado, inclusive quando considerado o juro real.
O mercado também discute se haverá novas reduções ou uma pausa no ciclo. O Boletim Focus mais recente projeta a Selic em 13,75% no fim deste ano, sinalizando que a decisão desta quarta-feira pode ter sido a última de 2026, embora ainda exista incerteza sobre a reunião de novembro.
Alternativas para prazos mais longos
Nesse contexto, Tolipan considera possível trocar parte da rentabilidade dos pós-fixados por taxas oferecidas em prefixados e títulos atrelados à inflação. “Por mais que o pós-fixado seja muito atraente, hoje você tem oportunidade de abrir mão desse retorno para garantir retornos interessantes por prazos mais longos”, afirma.
A estratégia exige atenção ao prazo. Prefixados e títulos ligados à inflação estão sujeitos à marcação a mercado: se forem vendidos antes do vencimento, os preços podem oscilar conforme as condições do mercado, e o retorno pode ser diferente do previsto na aplicação.
O BTG recomenda maior concentração em pós-fixados para investidores conservadores. Quem aceita mais risco pode reduzir essa parcela e buscar prefixados e títulos de juro real. Para prazos longos, o banco prefere papéis atrelados à inflação por uma questão de gerenciamento de risco.
Mauro Orefice, gestor da B Side Investimentos, vê os prefixados como a principal oportunidade da renda fixa, seguidos pelos títulos atrelados ao IPCA. Segundo ele, as taxas continuam atrativas porque há diferença entre os juros projetados pelo mercado ao longo do tempo e as previsões dos economistas. A indefinição fiscal também mantém as taxas prefixadas elevadas; caso essa questão seja equacionada nos próximos meses, esses títulos poderão se valorizar.
Martin Iglesias, líder em recomendação de investimentos do Itaú, mantém uma avaliação favorável aos pós-fixados. O banco sugere, para um investidor moderado, 45% em pós-fixados, 26% em renda fixa ativa, 10% em investimentos internacionais, 8% em multimercados, 7% em ações e 4% em alternativas, como fundos imobiliários.
Marcelo Freller, estrategista de investimentos do C6 Bank, também prefere os pós-fixados diante da volatilidade no exterior, influenciada pelo petróleo, e no mercado doméstico, em meio às eleições. Para ele, a modalidade combina menor oscilação com uma taxa de juros ainda alta, enquanto as incertezas atuais justificam uma postura mais cautelosa.



