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Frete marítimo reduz margens e força cortes em mineradoras brasileiras

Usiminas suspendeu uma planta, enquanto a Itaminas prepara paralisação e licença para trabalhadores diante do custo de exportar à China.

Frete marítimo reduz margens e força cortes em mineradoras brasileiras
Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

O aumento do frete marítimo para a China está reduzindo as margens de pequenas produtoras brasileiras de minério de ferro e levando empresas a diminuir a produção. A China é o principal mercado consumidor do produto.

A Mineração Usiminas SA suspendeu em 2 de setembro as operações da planta de Samambaia, em Minas Gerais. A empresa informou que a medida busca enfrentar a queda dos preços do minério de ferro e a elevação do transporte marítimo.

A Itaminas Comércio de Minérios SA vai interromper, em outubro, as atividades de uma planta de beneficiamento a úmido. A companhia também colocará um terço dos trabalhadores em licença para preservar caixa. Como exporta 90% da produção, afirmou que a decisão não afetará seus compromissos comerciais e que está à frente do plano de produção.

Frete e preço do minério

Na rota entre Tubarão e Qingdao, a tarifa para navios do tipo Capesize chegou a US$ 42,12 (R$ 216,50) por tonelada em 14 de setembro, conforme a Baltic Exchange. O valor está próximo dos maiores níveis desde 2021.

No mesmo período, os contratos futuros de referência do minério de ferro ficaram, em sua maioria, abaixo de US$ 100 (R$ 514) por tonelada desde julho. Em maio, chegaram a quase US$ 112 (R$ 575,68) por tonelada.

Para Artur Bontempo, sócio da Prime Trading, o valor recebido pelos produtores brasileiros em uma base livre a bordo, conhecida pela sigla FOB, caiu mais de US$ 18 (R$ 92,52) por tonelada, embora a variação dos preços do minério tenha sido pequena.

As tarifas de transporte subiram com a interrupção de fluxos comerciais causada pela guerra no Oriente Médio, o encarecimento dos combustíveis e a menor disponibilidade de navios após o mau tempo no Pacífico. A procura maior por embarcações para exportar minério de ferro também pressionou os custos.

“Exportadores menores, com proteção contratual limitada, continuam vulneráveis à pressão sobre as margens e o capital de giro”, afirmou Maria Bertzeletou, analista sênior de mercado do Signal Group.

Os custos na rota entre Brasil e China mais que dobraram em relação ao ano anterior, segundo Thiago Toscano, presidente-executivo da Itaminas. Ele afirmou que o transporte passou a consumir uma parcela muito significativa do valor das exportações e tornou algumas vendas menos atrativas.

A Usiminas interrompeu cerca de 30% a 35% da produção de sua operação de mineração. Para Daniel Sasson, analista do Itaú BBA, o movimento indica que a redução das margens começa a limitar a oferta brasileira.

Sasson estima que as margens das mineradoras expostas ao frete no mercado à vista estejam perto das mínimas em cinco anos. O Brasil é o segundo maior produtor mundial de minério de ferro, enquanto o setor enfrenta o enfraquecimento da demanda da indústria siderúrgica chinesa.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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