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Influenciadores ampliam temas para manter audiência e renda após o viral

Criadores de conteúdo recorrem a novos assuntos, afiliados e estratégias sazonais quando o tema original perde força.

Influenciadores ampliam temas para manter audiência e renda após o viral
Foto: Arquivo pessoal

O fim do assunto que levou um influenciador à fama pode exigir mudanças na estratégia de conteúdo, na forma de monetização e até na rotina profissional. Criadores que começaram falando sobre casamento, realities ou Enem passaram a explorar temas relacionados para manter a audiência e reduzir a oscilação da renda.

Christy Lima Cabrera, 32 anos, entrou nesse mercado ao publicar no TikTok dicas para o próprio casamento, 10 meses antes da cerimônia. O primeiro vídeo superou 40 mil visualizações, e a sequência de publicações atraiu empresas interessadas em parcerias.

Na época, Christy ocupava um cargo de liderança no mercado financeiro, área em que trabalhava havia 14 anos. Com a produção de conteúdo em expansão e a rotina profissional cada vez mais pesada, decidiu pedir demissão depois da lua de mel. “O dia foi um inferno e, na terça, pedi demissão”, relembra.

Depois do casamento, porém, o principal tema do perfil perdeu espaço. A influenciadora passou a produzir publicações sobre moda, viagens e estilo de vida. A pedido das seguidoras, também criou uma conta voltada a conceitos básicos de finanças e investimentos. Como ainda não alcança a renda desejada apenas com a internet, recorre a programas de afiliados de grandes empresas de comércio eletrônico.

Nicho, audiência e especialização

Rafaela Lotto, CEO da Youpix, afirma que é comum criadores que começam em um nicho passarem a abordar outros temas. Para ela, a permanência de um influenciador depende mais da relação com os seguidores do que do assunto inicial.

A especialização, no entanto, continua relevante na chamada Creator Economy, expressão usada para a economia movimentada por criadores e influenciadores. Pesquisas indicam que perfis concentrados em um tema tendem a formar comunidades mais fiéis e conquistar a confiança do público.

Um levantamento da Sprout Social mostra que 47% dos usuários consideram os temas tratados por influenciadores antes de decidir se vão segui-los. Perfis especializados também têm vantagem quando o público procura aprender, obter recomendações ou participar de comunidades ligadas a interesses específicos.

Caio Barbosa, 29 anos, conhecido como “o garoto dos realities”, construiu sua presença digital a partir desse modelo. Ele começou a publicar durante a pandemia de Covid-19, quando trabalhava como gerente de marketing de influência. Seu primeiro vídeo passou de 1 milhão de visualizações.

Barbosa concentra o conteúdo em realities, mas adapta a cobertura ao calendário. Nos primeiros meses do ano, sua audiência cresce com o Big Brother Brasil. Quando o programa termina, ele aborda realities de outros países, especialmente os que têm participantes brasileiros. Hoje, soma mais de 1,3 milhão de seguidores no TikTok e no Instagram.

Sazonalidade afeta a renda

Lucas Felpi, 25 anos, ficou conhecido entre 2018 e 2019 depois de mencionar a série “Black Mirror”, da Netflix, em uma redação nota 1.000 no Enem. A repercussão fez estudantes procurarem suas orientações, mas também expôs a dependência de um tema concentrado em uma época do ano.

Para reduzir essa sazonalidade, Felpi passou a indicar filmes úteis para a preparação, explicar métodos de estudo e falar sobre sua experiência acadêmica nos Estados Unidos. Depois, publicou vlogs sobre a vida universitária no exterior. Atualmente, mora em Nova York e trabalha como engenheiro de software. Mesmo tendo reduzido o ritmo das publicações, mantém uma cartilha anual sobre o Enem e reúne mais de 700 mil seguidores no Instagram e no YouTube.

A renda exclusivamente digital ainda é exceção entre os influenciadores. Dados da Youpix indicam que menos de um terço deles, ou 29%, vive apenas da criação de conteúdo. Mais da metade, 53,5%, combina a atividade com um trabalho fixo.

A mesma pesquisa mostra que a maioria dos criadores que vivem só da produção de conteúdo atua no mercado há mais de três anos. Felpi diz que seu emprego representa a maior parte da renda, em parte porque passou a publicar menos. A redução, segundo ele, também foi uma decisão relacionada à vida pessoal.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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