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Economia

Mercado aposta em novo corte da Selic para 13,75% nesta quarta-feira

Economistas esperam quinta redução consecutiva, apesar da tendência de alta dos juros em grandes economias por causa da inflação externa.

Mercado aposta em novo corte da Selic para 13,75% nesta quarta-feira
Foto: Folhapress

O Comitê de Política Monetária (Copom) deve reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, nesta quarta-feira (16). A decisão será a última reunião do Banco Central antes das eleições, e a expectativa é de que o ciclo de cortes continue mesmo diante de um ambiente internacional mais pressionado.

A aposta predominante no mercado financeiro considera que a economia doméstica oferece espaço para a flexibilização. Desde a reunião de agosto, aumentou a convicção entre os economistas de que a atividade está desacelerando e de que o processo de desinflação avançou.

Cenário internacional e inflação

A guerra no Oriente Médio elevou a incerteza sobre a inflação global, enquanto as cotações do petróleo voltaram a superar US$ 100 com a intensificação do conflito. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve deve elevar os juros nesta quarta-feira (16) para o intervalo de 3,75% a 4%, ante a faixa atual de 3,5% a 3,75%.

Também cresceram as apostas de que o Banco do Japão aumentará sua taxa de referência de 1% para 1,25%. Na semana passada, o Banco Central Europeu elevou a taxa de depósito em 0,25 ponto percentual, para 2,5% ao ano.

Mesmo com a maior pressão externa, economistas esperam que o Copom faça o quinto corte seguido. Fabio Kanczuk, ex-diretor do Banco Central, avalia que o colegiado considera os juros suficientemente altos para provocar uma contração expressiva da economia no futuro. Para ele, a avaliação está equivocada e novos cortes podem dificultar a convergência da inflação à meta, cujo centro é 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Kanczuk, porém, considera certa a redução nesta quarta-feira. Na avaliação dele, a decisão evitaria ruídos durante o período eleitoral. A próxima reunião está marcada para os dias 3 e 4 de novembro, depois do resultado das eleições. “O Banco Central gosta de não aparecer nas eleições”, afirmou.

Projeções para os próximos cortes

Henrique Danyi, economista do Santander, afirma que o Brasil chega a esse momento após manter juros restritivos por mais tempo que outros bancos centrais. Ele aponta como fatores favoráveis a desaceleração da atividade, a melhora da inflação corrente e a relativa estabilidade do câmbio.

O IPCA acumulado em 12 meses até agosto desacelerou para 4,22%, influenciado pela queda da conta de luz e pelo efeito temporário do bônus de Itaipu. As expectativas de inflação continuam sendo o principal ponto de preocupação: as projeções para o IPCA de 2027 e 2028 estão em 4,3% e 3,8%, respectivamente.

Danyi considera que, com a atividade mais fraca e o dólar na casa de R$ 5,15, o Copom deveria manter uma postura dependente dos dados, sem comprometer antecipadamente os próximos passos. Sua projeção é de encerramento do ciclo em 13,75% ao ano, mas ele vê necessidade de preservar flexibilidade. “Está ficando cada vez mais incerto se essa é a última reunião [de cortes] ou não”, disse.

Andrea Damico, economista-chefe e CEO da Buysidebrazil, também projeta um corte de 0,25 ponto percentual nesta reunião, mas admite a possibilidade de novas reduções em novembro. Ela cita a desaceleração da atividade e a descompressão da inflação subjacente como fatores para a continuidade do ciclo.

No segundo trimestre, o PIB cresceu 0,5% ante os três meses anteriores, mas o consumo das famílias recuou 0,4%. A taxa de desemprego caiu para 5,3% no trimestre até julho, o menor nível para esse intervalo na série histórica iniciada em 2012, segundo o IBGE.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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