São Paulo, Terça-feira, 22 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,11 · Euro R$ 5,86 · Ibovespa 186.596 -0,00%
A economia explicada todos os dias
Economia

MP-SP apura possível conexão entre caso Master e privatizações paulistas

Promotoria pediu informações ao governo de São Paulo, à Sabesp, à Emae e ao TCE antes de decidir sobre inquérito civil.

MP-SP investiga elo do escândalo do Master com privatização da Sabesp e Emae por Tarcísio de Freitas
Foto: Caiuá Maia Campanha Tarcísio/Divulgação

O Ministério Público de São Paulo abriu uma notícia de fato para apurar se houve ligação entre operações relacionadas ao Banco Master e as privatizações da Sabesp e da Emae durante o governo de Tarcísio Gomes de Freitas. A promotora Cíntia Marangoni deu prazo de 45 dias para que órgãos públicos e empresas enviem informações.

A apuração preliminar foi iniciada pela Promotoria do Patrimônio Público e Social a partir de uma representação apresentada pelo deputado Antônio Donato (PT-SP), líder do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O procedimento deverá verificar se há elementos sobre possíveis atos de improbidade administrativa, prejuízo ao patrimônio público estadual, conflito de interesses, favorecimento de empresas privadas ou falhas nos processos de desestatização.

A promotora solicitou documentos e esclarecimentos ao governo paulista, à Sabesp, à Emae e ao Tribunal de Contas do Estado. Depois do recebimento das respostas ou do fim do prazo, Marangoni decidirá se há fundamento para abrir um inquérito civil.

Operações sob análise

A representação de Donato relaciona o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, a operações envolvendo Nelson Tanure, Carlos Piani, a Ambipar, a REAG e a Trustee DTVM. O deputado afirma que o banco teria participado da estruturação e do financiamento de grupos interessados nos processos de privatização.

A Emae foi leiloada na Bovespa em 19 de abril de 2024. O Fundo Phoenix venceu a disputa pelas ações estaduais por aproximadamente R$ 1,04 bilhão, superando a proposta da EDF. O fundo havia sido criado em 20/03/2024 e tinha ações da Ambipar como principal lastro.

Segundo a representação, um parecer da Superintendência de Registro de Emissores da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apontou que a aquisição do controle da Emae foi financiada pelo Banco Master, por meio de uma emissão privada de debêntures da Phoenix S.A. A operação envolveu Nelson Tanure e Tércio Borlenghi Junior, fundador e controlador da Ambipar.

O documento também menciona a escolha de Karla Maciel Dolabella para a presidência da Emae após a privatização. Antes, ela chefiava a área de fusões e aquisições do Banco Master. Karla renunciou em dezembro de 2025 aos cargos de CEO e diretora de Pessoas e Sustentabilidade da Emae, alegando razões pessoais.

Sabesp e manifestação da companhia

A representação também questiona a venda do controle da Sabesp, realizada em julho de 2024. Donato afirma que Carlos Piani, que presidia o conselho da Ambipar, também ocupava a presidência do conselho da Equatorial, empresa que comprou a Sabesp. Piani assumiu a presidência da companhia de saneamento em outubro de 2024.

O deputado ainda relaciona a posterior aquisição da Emae pela Sabesp a uma sequência de operações envolvendo Tanure, a XP Investimentos e o Banco Master. De acordo com a representação, Tanure teria usado recursos da Emae para comprar títulos do Banco Master e, depois, deixado de quitar um empréstimo com a XP. A instituição teria assumido o controle da Emae antes de a Sabesp comprar a empresa.

Donato pede que sejam investigadas suspeitas de crimes contra o mercado de capitais e o sistema financeiro nacional, lavagem de dinheiro, organização criminosa e improbidade administrativa. A representação também cita uma doação de R$ 2 milhões feita por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, para a campanha de Tarcísio, além de R$ 3 milhões destinados à campanha de Jair Bolsonaro em 2022.

A Sabesp afirmou que o procedimento é preliminar e decorre de uma representação parlamentar. A companhia disse que fornecerá os esclarecimentos pedidos pelo Ministério Público e negou fundamento para vincular a empresa ou seus administradores aos fatos investigados no caso Banco Master. Também declarou que a desestatização foi autorizada pelo Legislativo estadual, passou por consultas e audiências públicas e foi registrada na CVM, com documentação apresentada à SEC, nos Estados Unidos.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.