São Paulo, Terça-feira, 22 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,11 · Euro R$ 5,86 · Ibovespa 186.596 -0,00%
A economia explicada todos os dias
Economia

Oceanos mais quentes pressionam pesca, turismo e infraestrutura energética

Recordes de temperatura elevam riscos para alimentos, recifes, comunidades costeiras e empresas, segundo cientistas.

Oceanos mais quentes pressionam pesca, turismo e infraestrutura energética
Foto: AFP

O aquecimento recorde dos oceanos já afeta atividades econômicas como pesca, turismo e geração de energia, além de aumentar a pressão sobre comunidades costeiras e empresas. Cientistas alertam que a tendência deve continuar nos próximos anos e defendem a aceleração das políticas contra as mudanças climáticas.

A temperatura média dos oceanos, excluídas as regiões polares, foi de 21,07 °C em agosto, igualando o recorde registrado em março de 2024. O dado foi divulgado pelo observatório europeu Copernicus nesta quinta-feira (10). No hemisfério norte, o verão de 2026, entre junho e agosto, foi o mais quente desde 1993, conforme o Copernicus Marine Service.

O episódio atual do fenômeno natural El Niño contribuiu para o calor, em combinação com o aquecimento global provocado pela atividade humana. Para Zachary Labe, climatologista do Climate Central, os oceanos passaram por uma sequência de “100 dias de calor recorde” para o período. A estimativa considera dados, parte deles preliminares, sobre a temperatura da superfície dos oceanos reunidos pela NOAA, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos.

Impactos sobre alimentos e atividades econômicas

O aumento da temperatura provoca a expansão térmica da água e eleva o nível do mar, ameaçando especialmente nações insulares do Pacífico e do Índico. Também intensifica ondas de calor que danificam recifes de coral, reduz a quantidade de peixes em algumas áreas e agrava eventos extremos, como chuvas torrenciais e ciclones.

As ondas de calor marítimas podem levar ao fechamento de áreas de pesca por causa de doenças, morte de espécies ou deslocamento dos peixes para águas mais frias. Kathryn Smith, da Associação Britânica de Biologia Marinha, afirmou que os prejuízos podem chegar a milhões ou bilhões de dólares para as comunidades afetadas, além de pressionar os preços dos alimentos.

Tom Pickerell, diretor do programa de oceanos do World Resources Institute, citou a redução das sardinhas em águas marroquinas mais quentes. Segundo ele, o quadro provocou a proibição das exportações e escassez no mercado europeu. O calor também tem afastado turistas de recifes degradados e interrompido reatores nucleares por causa da proliferação de águas-vivas, como ocorreu recentemente na França.

A discussão será um dos temas da COP31, reunião de cúpula do clima da ONU prevista para novembro, em Antália, sob presidência conjunta da Turquia e da Austrália. Pickerell afirmou que o problema deveria preocupar ministros das Finanças de todo o mundo. A pesquisadora Claire Bergin, da Universidade de Maynooth, na Irlanda, disse que a adaptação dos oceanos e da vida marinha continua limitada.

Labe avaliou que os recordes de temperatura na atmosfera e nos oceanos devem continuar pelo menos até 2027.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.