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Guerra reduz fluxo e pressiona mercado imobiliário de Dubai

Conflito diminuiu o turismo, encareceu a operação de resorts e levou incorporadoras a cortar custos, mas lançamentos continuam no emirado.

Guerra reduz fluxo e pressiona mercado imobiliário de Dubai
Foto: AFP

A guerra no Oriente Médio aumentou a pressão sobre o mercado imobiliário e hoteleiro de Dubai. Nos resorts das The World Islands, arquipélago artificial em formato de mapa-múndi, a queda de visitantes internacionais se somou à alta do diesel usado por geradores, já que o empreendimento não está ligado à rede elétrica.

O The Heart of Europe, projeto de US$ 6 bilhões (R$ 30,8 bi), reúne hotéis e atrações inspirados em destinos europeus. A incorporadora Kleindienst Group demitiu dezenas de funcionários ou colocou parte da equipe em licença não remunerada nos últimos meses. Ex-funcionários abriram processos por salários não pagos, enquanto investidores acionaram a empresa por problemas nas entregas e no pagamento de retornos prometidos.

A cadeia de ilhas já acumulava anos de atrasos relacionados a desafios técnicos, logísticos e regulatórios. Euan Lloyd, responsável pela área de construção e infraestrutura do escritório de advocacia Al Tamimi & Co., resumiu a dificuldade: “Mas executá-lo e concretizá-lo é bastante desafiador.”

Resorts buscam moradores de Dubai

O resort Anantara, inspirado nas Maldivas e desenvolvido por uma empresa fundada por Sultan Ahmed bin Sulayem, ex-chefe da DP World, fechou em abril. A Minor Hotels, operadora do empreendimento, atribuiu o encerramento a “uma combinação de fatores externos”.

O The Heart of Europe passou a recorrer ao público local, oferecendo vales para alimentos e bebidas no mesmo valor da diária. Josef Kleindienst, responsável pelo grupo que desenvolve o complexo, afirmou que o projeto previa inicialmente uma divisão equilibrada entre hóspedes internacionais e moradores de Dubai. Depois do início da guerra, a estratégia passou a priorizar o mercado de férias perto de casa.

Segundo Kleindienst, a ocupação subiu de 27% em março para 36% em abril e 56% em maio. A meta era chegar a 80% nas semanas seguintes. Ele também prometeu inaugurar cinco hotéis até 2027, com obras avançando durante a noite.

Kleindienst rejeitou a avaliação de que o empreendimento não seria viável. Segundo ele, o complexo foi planejado como um projeto turístico de longo prazo, e não como um empreendimento imobiliário convencional. O executivo disse ainda que algumas atrações dependiam de tecnologias e aprovações que não estavam disponíveis quando as obras começaram.

Queda nas transações e cortes

Na parte continental de Dubai, o volume de transações residenciais em maio ficou em cerca da metade do registrado um ano antes, segundo dados da ValuStrat. As vendas melhoraram em junho, e o ritmo de queda dos preços diminuiu. Ainda assim, o mercado residencial acumulava retração de 10% desde o início da guerra.

Grandes incorporadoras, como Sobha e Azizi, cortaram centenas de postos de trabalho cada uma desde o início do conflito. O Departamento de Terras de Dubai, conhecido como DLD, começou a se preparar para uma possível consolidação do setor e alertou informalmente grupos maiores de que talvez precisassem assumir concorrentes menores com dificuldades de caixa.

O órgão afirmou que apoiava o mercado por meio de regulamentação e monitoramento contínuo. Também manteve perspectivas positivas para o setor e informou que mais de 2.000 incorporadoras imobiliárias atuavam no mercado.

Para Faisal Durrani, chefe de pesquisa da Knight Frank para o Oriente Médio e o norte da África, o perfil dos compradores e proprietários atuais pode ter limitado a correção dos preços em comparação com crises anteriores.

Lançamentos continuam

Apesar das dificuldades, as maiores incorporadoras de Dubai mantiveram novos lançamentos. A DarGlobal, que tem parcerias com a Trump Organization, desenvolve uma torre de 80 andares com a marca Trump. A conclusão está prevista para daqui a cinco anos, e entre 80% e 90% das unidades já haviam sido vendidas, segundo Ziad El Chaar, presidente-executivo da empresa.

A Emaar, responsável pela construção da torre Burj Khalifa, anunciou em junho um novo distrito urbano de US$ 55 bilhões (R$ 282,9 bi), com capacidade para 150 mil moradores. Em maio, a canadense Brookfield anunciou uma nova joint venture de investimento imobiliário em Dubai.

Hussain Sajwani, fundador da Damac Properties, também afirmou que a empresa mantém os lançamentos. “Temos caixa suficiente, os recebimentos vão bem e continuamos lançando projetos”, disse.

Mesmo nas The World Islands, o desempenho varia entre os empreendimentos. O Zuhha Islands by Zaya vendeu suas 30 vilas de luxo antes do início da guerra. Cada imóvel podia alcançar até US$ 24 milhões (R$ 123,4 mi).

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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