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Economia

Oceanos mais quentes ameaçam pesca, turismo e geração de energia

Recorde de temperatura dos mares pode reduzir a oferta de peixes, pressionar preços e elevar custos de adaptação em áreas costeiras.

Oceanos mais quentes ameaçam pesca, turismo e geração de energia
Foto: Scripps Institution of Oceanography/UC San Diego

O aquecimento recorde dos oceanos já produz riscos econômicos em diferentes setores. A elevação da temperatura pode reduzir a oferta de peixes, pressionar os preços dos alimentos, afetar o turismo costeiro e aumentar os custos e riscos associados à infraestrutura de energia.

Em agosto, a temperatura média dos oceanos, sem considerar as regiões polares, chegou a 21,07 ºC, segundo o observatório europeu Copernicus. O resultado igualou o recorde registrado em março de 2024.

Pesca e preços dos alimentos

As ondas de calor marítimas podem provocar doenças e mortalidade de espécies ou levar os peixes a migrar para áreas mais frias. Com isso, regiões de pesca podem ser fechadas ou passar a oferecer menos pescado.

Kathryn Smith, da Associação Britânica de Biologia Marinha, afirmou que esses eventos podem custar milhões ou até bilhões de dólares às comunidades afetadas e ter impacto sobre os preços dos alimentos.

A redução da oferta atinge toda a cadeia: pescadores, indústrias de processamento, exportadores, comerciantes e consumidores. No Marrocos, Tom Pickerell, diretor do programa de oceanos do World Resources Institute (WRI), relacionou o aumento da temperatura das águas à diminuição das populações de sardinha. O efeito, segundo ele, levou à proibição das exportações e à escassez no mercado europeu.

Turismo e infraestrutura

Os recifes de coral estão entre os ecossistemas afetados pelas ondas de calor marítimas. O aumento da temperatura provoca o branqueamento dos corais e pode degradar ambientes que sustentam atividades como praias, mergulho e observação da vida marinha.

A perda de biodiversidade ou a alteração da aparência dos recifes pode atingir hotéis, restaurantes, agências de turismo, operadores de mergulho e trabalhadores que dependem desses visitantes.

A infraestrutura energética também está exposta. Na França, reatores nucleares ficaram parados devido à proliferação de águas-vivas. Os animais podem interferir nos sistemas que usam água do mar para o funcionamento das usinas. Interrupções desse tipo podem reduzir a produção, elevar custos de operação e exigir medidas de adaptação.

A água do mar se expande quando esquenta, contribuindo para a elevação do nível dos oceanos e aumentando a pressão sobre cidades e estruturas em áreas costeiras. Para países e comunidades insulares vulneráveis, isso implica necessidade de investimentos em proteção, adaptação e reconstrução.

Calor persistente

O verão de 2026 no hemisfério norte, entre junho e agosto, foi o mais quente desde 1993, de acordo com o Copernicus Marine Service. O período foi influenciado pelo El Niño, somado ao aquecimento global provocado pela atividade humana.

Zachary Labe, climatologista do Climate Central, afirmou que a mudança climática é o motor do calor recorde e que os oceanos passaram por uma sequência de 100 dias de calor recorde para esta época do ano. A estimativa usa dados, alguns ainda preliminares, compilados pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).

Labe disse acreditar que as temperaturas recordes, na atmosfera e nos oceanos, continuarão pelo menos até 2027. O assunto será um dos principais temas da COP31, conferência do clima da ONU prevista para novembro, em Antália, na Turquia.

Para os cientistas, a adaptação exigirá preparação de empresas, governos e comunidades costeiras, já que produção, infraestrutura e renda podem ser afetadas ao mesmo tempo. Claire Bergin, pesquisadora da Universidade de Maynooth, na Irlanda, afirmou que a adaptação dos oceanos e da vida marinha é limitada e mais complexa do que instalar ar-condicionado em terra.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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