A pobreza atingia 60,9% das crianças de 2 a 14 anos com deficiência em 2022, segundo um recorte do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Entre as crianças sem deficiência da mesma faixa etária, o índice era de 52,5%.
A diferença também aparecia entre os idosos: 20,7% das pessoas com deficiência de 60 anos ou mais viviam em lares abaixo da linha de pobreza, ante 17,5% entre as demais pessoas dessa faixa etária. O estudo considerou renda do trabalho e outras fontes de recursos.
Pobreza por faixa etária
O IBGE informou que 33,2% da população com deficiência era pobre em 2022. O percentual geral ficava abaixo do observado entre as pessoas sem deficiência, de 34,5%, mas o instituto ponderou que esse resultado é influenciado pela composição dos grupos.
A população com deficiência tem uma proporção maior de idosos, faixa etária em que a incidência da pobreza é menor. Por isso, a taxa agregada fica mais baixa, enquanto a comparação detalhada por idade mostra índices superiores entre as pessoas com deficiência em todos os grupos analisados.
A linha adotada no estudo segue parâmetros do Banco Mundial: US$ 8,30 por dia de renda domiciliar per capita, equivalente a cerca de R$ 770 mensais. Nesse critério, são consideradas pobres as pessoas que vivem em domicílios com renda abaixo desse valor.
“Mais de 40% da população com deficiência tem 60 anos ou mais de idade”, afirmou o pesquisador André Simões, do IBGE. Segundo ele, parte desse grupo recebe recursos de aposentadorias, pensões e do Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Trabalho e remuneração
Também em 2022, 13,7 milhões de pessoas com deficiência tinham 14 anos ou mais no Brasil, idade considerada de trabalho no levantamento. Quase 4 milhões exerciam alguma atividade profissional, o equivalente a um nível de ocupação de 29%.
Entre as pessoas sem deficiência da mesma idade, o indicador era de 55,8%. O rendimento médio mensal dos trabalhadores com deficiência foi de R$ 2.053, contra R$ 2.890 entre os demais trabalhadores. A diferença correspondia a 29%.
Os profissionais com deficiência receberam menos nas dez atividades econômicas examinadas pelo IBGE. Eles também estavam mais concentrados em serviços domésticos, agropecuária e alojamento e alimentação, setores cuja remuneração média é menor, conforme o instituto.
A participação em cargos gerenciais era reduzida. Dos 2,3 milhões de postos desse tipo no país, 2,5% eram ocupados por pessoas com deficiência, o equivalente a 59,1 mil. Nesse grupo, 55,7% eram homens, concentrados em posições com remunerações menores.
O nível de ocupação variava conforme o tipo de dificuldade. Entre as pessoas com dificuldades associadas a funções mentais, o índice era de 12,9%. A maior proporção foi registrada entre aquelas com dificuldade de enxergar, com 35,9%.
Previdência e diferenças entre homens e mulheres
Os contribuintes para a Previdência representavam 57,9% dos ocupados com deficiência. Entre os trabalhadores sem deficiência, a proporção era de 67,7%.
Entre mulheres que viviam em domicílios com crianças com deficiência, o nível de ocupação era de 43,1%, 12,1 pontos percentuais abaixo do registrado entre mulheres em lares com crianças sem deficiência, de 55,2%. Entre os homens, os percentuais eram de 69,7% e 69,5%, respectivamente.
Para o pesquisador João Hallak Neto, do IBGE, os dados mostram maior dificuldade de inserção desse grupo no mercado de trabalho. A técnica Luanda Chaves Botelho, também do instituto, afirmou que as ocupações alcançadas são marcadas por menor remuneração e menor contribuição previdenciária. Ela mencionou ainda o capacitismo como possível explicação para uma parcela das diferenças que não é explicada por ocupação, atividade ou escolaridade.
O informativo foi elaborado pelo IBGE com base em diferentes fontes, com destaque para o Censo Demográfico. A divulgação ocorreu antes do Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro.



