SÃO PAULO — A campanha pela reeleição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), usa programas voltados à juventude para aproximar sua imagem dos eleitores. Um dos principais exemplos é o Prontos pro Mundo, iniciativa que oferece capacitação intensiva em inglês e bolsas de intercâmbio internacional para alunos do ensino médio da rede pública.
A escala do programa, porém, é pequena diante do tamanho da rede estadual. São cerca de 1,3 milhão de estudantes matriculados no ensino médio. A formação on-line atende aproximadamente 70 mil alunos por ciclo, enquanto apenas 1.000 estudantes por ano são selecionados para viajar, de acordo com uma fonte da oposição.
Com esse recorte, as bolsas internacionais chegam a cerca de 0,1% dos alunos do ensino médio da rede estadual. Considerando também os estudantes da etapa on-line, o alcance fica abaixo de 7%.
Critérios de seleção
A participação no intercâmbio não é universal. Os candidatos precisam apresentar altos índices de frequência, engajamento e desempenho em avaliações como o Saresp e o Provão Paulista, além de comprovar proficiência no curso de idiomas.
Essas exigências podem criar obstáculos para estudantes que trabalham, enfrentam dificuldades familiares ou têm acesso limitado à internet e a equipamentos. O resultado é um processo seletivo dentro da própria rede pública: uma parcela reduzida recebe a oportunidade internacional, enquanto a maioria permanece fora do programa.
O governo paulista anuncia cerca de R$ 85 milhões para custear passagens, vistos, hospedagem e auxílios aos estudantes no exterior. O investimento é apresentado como uma estratégia de internacionalização da educação pública, mas a concentração dos recursos em cerca de mil alunos por ano alimenta o debate sobre o alcance educacional da iniciativa.
Programa e imagem eleitoral
O intercâmbio pode produzir impacto individual para os estudantes selecionados, mas não resolve o ensino de inglês dos demais alunos nem altera, sozinho, as condições de aprendizagem da rede. A diferença entre o número de beneficiados e o total de matriculados também estabelece um contraste entre a exposição dos resultados e o alcance efetivo da política.
Em conversas com jovens, Tarcísio busca apresentar uma imagem menos tecnocrática e mais próxima do eleitorado. A estratégia de comunicação destaca os estudantes que viajaram e estudaram no exterior, enquanto a dimensão do programa permanece limitada diante do universo de aproximadamente 1,3 milhão de alunos do ensino médio.



