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Projeto Caldeira pode abastecer cadeia de ímãs ligada a Trump Jr.

Mineradora australiana enviou amostras de terras raras de Minas Gerais à Ucore, que pretende processá-las nos Estados Unidos.

Projeto Caldeira pode abastecer cadeia de ímãs ligada a Trump Jr.

A mineradora australiana Meteoric Resources iniciou testes com a Ucore Rare Metals para possível fornecimento de terras raras extraídas do Projeto Caldeira, no sul de Minas Gerais. A Ucore pretende processar o material nos Estados Unidos e abastecer a Vulcan Elements, fabricante de ímãs que recebeu investimento de um fundo do qual Donald Trump Jr. é sócio.

O projeto está distribuído pelos municípios de Andradas, Caldas e Poços de Caldas. A Meteoric enviou amostras do minério à Ucore, que planeja separar os elementos de terras raras em uma unidade na Louisiana. O material transformado em óxidos poderá ser usado pela indústria de ímãs.

A conexão com a Vulcan Elements ocorreu por meio da 1789 Capital. Em agosto de 2025, o fundo investiu na empresa americana, que fabrica ímãs para drones, satélites, equipamentos militares, semicondutores e carros elétricos. Em março de 2026, a Vulcan assinou um memorando com a Ucore. O acordo prevê testes com amostras, já em andamento, antes do início de um possível fornecimento comercial pela Ucore a partir de 2027.

Produção prevista em Minas Gerais

Em 11 de junho deste ano, a Meteoric informou ao mercado australiano que sua unidade em Minas Gerais havia processado 43 toneladas de minério do Caldeira e produzido mais de 200 quilos de concentrado de terras raras. Parte do material foi encaminhada para testes de qualidade com possíveis compradores, incluindo a Ucore.

A empresa informou ter extraído, em média, 71% dos elementos usados na fabricação de ímãs presentes no minério processado. O projeto reúne 78 títulos minerários e de pesquisa em uma área de 19,2 mil hectares, equivalente a cerca de 192 quilômetros quadrados. A estimativa é investigar 1,6 bilhão de toneladas de material.

A Meteoric prevê uma operação com duração superior a 20 anos e produção média anual de 12.500 toneladas de óxidos de terras raras. Desse volume, 3.000 toneladas seriam destinadas à Ucore. O projeto Caldeira deve fornecer pelo menos 3.000 toneladas anuais à empresa canadense.

A exploração comercial ainda não começou. A Meteoric segue com a unidade piloto em operação e solicitou, em maio de 2026, a licença de instalação necessária para avançar na implantação do empreendimento. Em dezembro de 2025, o Conselho Estadual de Política Ambiental de Minas Gerais concedeu à empresa a licença prévia do projeto, válida por cinco anos. A instalação efetiva da mina ainda depende da nova licença.

Rota de fornecimento

A cadeia planejada começa com a extração e a produção de carbonato misto de terras raras em Minas Gerais. Depois, a Ucore receberia o material e separaria seus elementos na Louisiana. A Vulcan Elements compraria o produto para fabricar ímãs na Carolina do Norte.

Em 2025, o Pentágono comunicou um compromisso condicional de empréstimo de US$ 620 milhões (R$ 3,22 bilhões) à Vulcan Elements. Na ocasião, Donald Trump Jr., a 1789 Capital e o Pentágono negaram que a relação política tivesse influenciado a decisão.

O memorando entre a Meteoric e a Ucore foi assinado em agosto de 2024, antes da sanção do projeto de lei nº 2.780/2024 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A norma estabelece a Política Nacional de Minerais Críticos, Estratégicos e Terras Raras e prevê análise federal de acordos internacionais de fornecimento que possam afetar a segurança econômica ou geopolítica do país.

A aplicação da regra a um eventual contrato definitivo entre as duas empresas pode ser questionada pelo governo. O acordo comercial ainda não foi formalizado, e a produção do Projeto Caldeira não entrou em operação.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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