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Economia

Sites de dopamina simulam compras e atraem milhões sem vender produtos

Plataformas criadas na Coreia do Sul oferecem experiências digitais de consumo, mas não entregam produtos nem cobram pelos serviços.

Sites de dopamina simulam compras e atraem milhões sem vender produtos
Foto: Anna Fedorova/Adobe Stock

Sites de dopamina simulam compras, pedidos de comida e até pausas para fumar sem oferecer produtos reais. A proposta é reproduzir a expectativa e a sensação de consumo, mas interromper a etapa da compra ou da entrega. A tendência surgiu na Coreia do Sul no primeiro semestre e se espalhou para outros países.

Essas plataformas receberam esse nome em referência à dopamina, substância química do cérebro associada à busca por recompensas. Seus criadores afirmam que elas podem ajudar pessoas a romper hábitos de consumo, ao permitir a experiência de consultar cardápios, escolher produtos ou acompanhar uma entrega sem gastar dinheiro.

A Imaginair, criada pelo grupo ambiental Earth Day Canada, funciona como uma loja de imitação e chama a atenção para o consumo excessivo. Nos Estados Unidos, um desenvolvedor da Microsoft criou a Fake Haul, uma megaloja fictícia motivada por preocupações com compras.

A expectativa antes do consumo

A estudante de engenharia mecânica Seohyun Park, de Seul, criou em março um site falso de entrega de comida. O projeto, cujo nome pode ser traduzido como A Comida Nunca Chega, permite que os usuários façam um pedido virtual e depois calculem quanto economizaram em dinheiro e calorias.

Park disse que a ideia começou como um experimento lúdico, depois que percebeu sentir mais prazer ao consultar cardápios e pedir comida do que ao consumir a refeição. O site passou a receber cerca de 10 mil visitantes por mês e gerou discussões sobre a possibilidade de resistir à vontade de pedir comida.

Na Índia, Purvansh Parmar e Anshul Sharma, ambos de 26 anos e moradores do Rajastão, citaram o projeto como inspiração. Os dois criaram uma cozinha de dopamina com entregas falsas e receitas de verdade. Lançada em junho, a iniciativa teve mais de 2,7 milhões de visualizações, segundo os desenvolvedores.

Eles também criaram o Rewire Heaven, plataforma em que os usuários podem renunciar publicamente a um hábito e permitir que desconhecidos cobrem o cumprimento desse compromisso. Até agora, a maioria desses sites funciona mais como exercício de diversão do que como fonte de lucro.

Na economia comportamental, as compras imaginárias são associadas à utilidade antecipatória: a sensação agradável provocada pela expectativa de algo. Essa sensação pode ser igual ou superior ao prazer da realização do ato, chamado de utilidade da experiência, e à lembrança do acontecimento, conhecida como utilidade retrospectiva.

Para Ravi Dhar, diretor do Yale Center for Customer Insights, esperar por algo representa parte importante do prazer. A satisfação, porém, pode diminuir quando a simulação deixa de ser novidade. Lingguo Xu, economista comportamental da Universidade de Waterloo, afirmou que a prática também pode intensificar o desejo e levar a pessoa a buscar o consumo real.

Comunidade em experiências virtuais

A psiquiatra Anna Lembke, da Universidade Stanford, comparou os sites de dopamina à cerveja sem álcool. Ela afirma que os dispositivos fornecem estímulos digitais constantes, capazes de incentivar o consumo excessivo de alimentos, notícias, compras e pornografia.

Para Lembke, essas plataformas funcionam como um mecanismo de autocontenção, ao limitar comportamentos habituais. Elas também podem ampliar a autoconsciência e reduzir a solidão ao criar uma sensação de comunidade.

A desenvolvedora sul-coreana Seojin Ko criou o Damta World em novembro do ano passado. O site reproduz virtualmente uma pausa para fumar, embora Ko não fume. A tela exibe um cigarro, a contagem de bitucas acumuladas em um terraço fictício e uma animação de fumaça e cinzas. Os usuários também podem trocar mensagens que passam pela tela.

O Damta World recebe cerca de 150 mil visitantes por mês, segundo Ko. Ela afirmou que o site se tornou um espaço para pessoas conversarem com desconhecidos sobre dificuldades no trabalho, na escola e na vida cotidiana. Algumas amizades começaram nessas pausas virtuais, e certos usuários passaram a se encontrar pessoalmente. Em alguns casos, esses encontros terminaram com um cigarro.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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