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Conta de influenciadora foi suspensa após pedido de Daniel Vorcaro, indicam documentos

Ana Raquel dos Santos Ribeiro descobriu a possível relação entre a suspensão e uma festa ligada ao banqueiro após a quebra de sigilo da investigação.

Conta de influenciadora foi suspensa após pedido de Daniel Vorcaro, indicam documentos
Foto: Reprodução/BBC

A suspensão do perfil de Ana Raquel dos Santos Ribeiro no Instagram, em novembro de 2023, pode ter ocorrido após um pedido do banqueiro Daniel Vorcaro para retirar uma publicação sobre uma festa na boate Madame Club, conhecida como Madame Satã, em São Paulo. A possibilidade aparece em documentos da investigação sobre o Banco Master, mas não foi comprovada pelas autoridades.

Ana mantinha a conta @anatrackid, voltada à música eletrônica, desde 2020. O perfil reunia informações sobre eventos, DJs e ingressos e tinha cerca de 13 mil seguidores, alcançando mais de 425 mil contas. Em setembro de 2023, ela deixou o emprego de contadora para trabalhar com o conteúdo, recebendo comissões por vendas de ingressos, divulgação de festas e produção de publicações.

Em 1º de novembro de 2023, a influenciadora publicou um vídeo da festa realizada na Madame Club. Ela não esteve no evento e afirmou ter obtido as imagens com um técnico de som que teria trabalhado no local. A festa, articulada por Vorcaro, tinha restrição para o uso de celulares.

Suspensão e processo judicial

A conta desapareceu do Instagram em 10 de novembro de 2023. A plataforma informou que Ana deveria recorrer e comprovar que não era um robô. Depois das etapas de verificação, ela recebeu a confirmação de que o perfil estava suspenso de forma definitiva, sem indicação de uma publicação específica ou explicação detalhada sobre a regra supostamente violada.

Ana entrou na Justiça em 13 de novembro de 2023 contra Facebook Serviços Online do Brasil Ltda., empresa do grupo Meta. A liminar para reativação imediata foi negada inicialmente, porque o juiz considerou necessário ouvir a empresa e investigar a razão do bloqueio.

Na defesa, o Facebook Brasil disse que o perfil havia sido temporariamente indisponibilizado para análise de uma possível violação das políticas do Instagram. A justificativa foi resumida nos autos como relacionada à integridade e à identidade autêntica, sem detalhar qual conduta teria infringido as regras.

A conta foi reativada em 28 de novembro. O juiz Paulo Bernardi Baccarat considerou a explicação genérica e afirmou que a empresa não havia indicado as violações específicas. A companhia foi condenada a manter o perfil ativo e a pagar R$ 3.000 por danos morais, além das despesas do processo e dos honorários advocatícios.

Mensagens encontradas no celular

A possível conexão com Vorcaro surgiu durante a investigação sobre o Banco Master. O celular do banqueiro foi apreendido pela Polícia Federal em novembro de 2025, na primeira fase da Operação Compliance Zero.

A PF investigava suspeitas de fraude envolvendo a transferência de aproximadamente R$ 12 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master para o Banco de Brasília, o BRB. A análise do aparelho resultou em um relatório de 126 páginas, incorporado a uma petição em tramitação no Supremo Tribunal Federal. O conteúdo se tornou público após o levantamento do sigilo das investigações.

O relatório examinou conversas entre Vorcaro e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, identificado no celular como Felipe Mourão e também conhecido como Sicário. Para a Polícia Federal, Mourão atuava como executor de determinações do banqueiro. O documento reúne indícios de acesso a informações sigilosas, intimidação e tentativas de controlar publicações na internet.

A publicação de Ana aparece na seção sobre monitoramento e manipulação de perfis em redes sociais. Em 3 de novembro de 2023, Vorcaro enviou a Mourão o link do vídeo publicado dois dias antes e escreveu: “Derrubar esse”. Depois, esclareceu que não pretendia remover toda a conta: “Só o post”.

Na conversa, Vorcaro também afirmou que o vídeo não dizia nada demais e ponderou que a retirada poderia gerar mais repercussão. Sete dias depois, o perfil inteiro foi suspenso pelo Instagram.

A Polícia Federal relatou outros episódios em que pessoas ligadas a Vorcaro teriam usado canais destinados a solicitações de autoridades para tentar derrubar conteúdos. O documento, porém, não demonstra que esse método tenha sido aplicado contra Ana, nem comprova que Mourão tenha feito um pedido à Meta relacionado ao perfil ou que a suspensão tenha resultado da ordem do banqueiro.

Ana disse que só compreendeu a possível relação após a divulgação dos documentos. A Meta afirmou que não comentaria o caso.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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