O Conselho de Supervisão da Meta pediu que a empresa não substitua a verificação profissional de informações pelas chamadas notas da comunidade nos 16 países da América Latina em que a ferramenta começou a ser testada.
Em comunicado divulgado neste sábado (12), o conselho afirmou que a checagem feita por jornalistas e as notas elaboradas por usuários são mecanismos complementares, com funções diferentes. As notas são criadas e aprovadas por pessoas que usam as redes sociais.
“Instamos a Meta a não apresentar as notas da comunidade como uma substituição direta da verificação”, disse o órgão, que reúne as plataformas Facebook, WhatsApp e Instagram.
A Meta anunciou na quarta-feira (9) o início dos testes na região. A medida foi apresentada como uma etapa para substituir o programa de verificação profissional de conteúdos, no qual informações potencialmente enganosas são analisadas por jornalistas.
Riscos apontados pelo conselho
O Conselho de Supervisão afirmou que as notas podem ser manipuladas ou produzir efeito contrário ao esperado em regimes repressivos e em países com forte polarização. Também citou possíveis danos em contextos de violência política e onde existam redes de desinformação em larga escala.
Embora possam contribuir para debates e estimular a liberdade de expressão, as notas, segundo o conselho, devem ser avaliadas conforme os riscos específicos de cada país antes de uma eventual implementação definitiva.
Os países incluídos são Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. O Brasil não faz parte da lista.
A ferramenta segue um modelo de colaboração em massa já adotado pela plataforma X, de Elon Musk. Para participar, o usuário precisa ter pelo menos 18 anos, uma conta com no mínimo seis meses de existência e não ter violado repetidamente as regras da Meta.
A empresa encerrou no ano passado seu programa de verificação profissional nos Estados Unidos e passou a adotar as notas da comunidade. A decisão na América Latina ocorre em um cenário de fortalecimento da direita e da extrema direita na região, com presidentes ou candidatos de países como Chile, Colômbia, Equador, Argentina e Peru declarando admiração por Donald Trump e tendo Nayib Bukele como referência.



