Augusto Cury, candidato à Presidência pelo Avante, investiu pelo menos R$ 116 mil para promover conteúdos nas plataformas da Meta. O gasto aumentou na reta final de agosto: entre 25 e 31 de agosto, foram R$ 43.926 em anúncios, conforme os registros da Biblioteca de Anúncios da empresa.
A propaganda eleitoral paga na internet é permitida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apenas na modalidade de impulsionamento de conteúdos. A Justiça Eleitoral também proíbe o uso desse recurso para divulgar material negativo sobre adversários.
Público e distribuição regional
Depois do início oficial da campanha, em 16 de agosto, pessoas de 18 a 24 anos concentraram 35,8% das impressões estimadas dos anúncios de Cury. A faixa de 25 a 34 anos respondeu por 32,3%. Os grupos de 35 a 44 anos e de 45 a 54 anos tiveram, respectivamente, 14,8% e 8%.
Entre as faixas mais velhas, a participação foi de 5,4% para pessoas de 55 a 64 anos e de 3,5% para o público com 65+ anos. No período de pré-campanha, a faixa de 25 a 34 anos concentrava a maior parcela das impressões, com 28,4%.
Também houve mudança na distribuição regional. O Sudeste, que reunia 44,1% das impressões antes do início oficial da campanha, passou a representar 19,7%. O Nordeste aumentou sua participação de 31,1% para 54,6%.
Debate e pesquisas eleitorais
Um dos conteúdos que recebeu mais investimento foi um vídeo com um trecho da participação de Cury no primeiro debate presidencial, realizado em 28 de agosto. O evento contou ainda com Ronaldo Caiado e Renan Santos. Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro não participaram.
Após o debate, Cury ganhou 1,8 milhão de seguidores entre 14 e 27 de agosto, segundo levantamento do Instituto Democracia em Xeque. Nas duas pesquisas Quaest divulgadas em 14 de agosto e 2 de setembro, sua intenção de voto passou de 2% para 10%.
No levantamento mais recente, Cury apareceu em terceiro lugar. O candidato marcou 14% entre os eleitores mais jovens, 11% no Nordeste, 10% no Sudeste e no Sul e 8% no Centro-Oeste/Norte. A margem de erro foi de 2 pontos percentuais. Lula registrou 37%, e Flávio Bolsonaro, 29%.
Prestação de contas
Os valores registrados pela Meta são compatíveis com os dados informados por Cury à Justiça Eleitoral. Em 20 de agosto, o candidato declarou despesa de R$ 50 mil com impulsionamento. Até 31 de agosto, a plataforma indicava gasto de R$ 43,9 mil.
A prestação está disponível no portal DivulgaCand e considera as transações realizadas depois do início oficial da campanha. No mesmo período, entre 30 de junho e 31 de agosto, Lula gastou R$ 1,1 milhão com impulsionamento. A página de Flávio Bolsonaro não tinha gastos registrados na Biblioteca de Anúncios da Meta.
Em agenda no Sebrae em Curitiba, em 31 de agosto, Cury negou ter usado robôs ou contratado influenciadores para aumentar artificialmente seu engajamento. Ele afirmou: “Nós investimos em torno de R$ 50 mil. Não tem história de robô.”



