BRASÍLIA — Mensagens trocadas pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e pelo advogado Ciro Soares registram apoio à permanência de Otto Lobo na presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Nas conversas, Vorcaro afirma que acionaria “sua turma” para ajudar a manter Lobo no comando da autarquia, responsável pela supervisão do mercado de capitais.
As mensagens foram trocadas em 19 de julho de 2025, um dia depois de João Pedro Nascimento renunciar à presidência da CVM por motivos pessoais. Lobo, que era diretor, assumiu a chefia de forma interina.
Soares disse a Vorcaro que havia sido procurado por Lobo para buscar apoio do senador Otto Alencar (PSD-BA), integrante da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, responsável por analisar indicações para a CVM. O advogado também afirmou que levaria Lobo ao então líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
Em uma das mensagens, Vorcaro respondeu sobre Lobo: “Ótimo ele. Tem que colocar ele. Na presidência”. Em outro momento, depois de Soares dizer que trabalharia para a permanência do dirigente, o ex-banqueiro afirmou que faria “acontecer” e mobilizaria seus contatos, sem explicar a quem se referia.
Negativas dos envolvidos
A equipe de Soares afirmou que o advogado não marcou reuniões entre Lobo e senadores ou outras pessoas e destacou que ele não atua na CVM. Otto Alencar, por meio de sua assessoria, negou ter se encontrado com Lobo e disse não ter relação com a permanência dele na presidência da comissão.
A defesa de Jaques Wagner também negou encontro para tratar do comando da CVM. O senador afirmou que não pode responder por conversas de terceiros das quais não participou e que desconhece o contexto em que ocorreram. A defesa ainda declarou que ele não tem relação com Vorcaro nem atuou em favor dos interesses do Banco Master.
Lobo afirmou não ter conhecimento ou ingerência sobre conversas privadas de terceiros e negou ter mantido relações com Vorcaro ou buscado seu apoio. Em nota, a assessoria disse que ele foi sabatinado e aprovado pelo Senado em 20 de maio de 2026, após a CVM já ter criado o Grupo de Trabalho do Banco Master, Reag e Entidades Conexas.
A aprovação ocorreu com 31 votos favoráveis e 13 contrários. Na CAE, Lobo recebeu 19 votos favoráveis e foi rejeitado por quatro dos 23 senadores que votaram.
A CVM é ligada ao Ministério da Fazenda e fiscaliza operações com ações, fundos de investimentos e debêntures. O órgão também informou que tinha conhecimento de possíveis irregularidades no Banco Master antes de 2022.



