A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) condenou por unanimidade Daniel Vorcaro, o Banco Master e outros envolvidos em uma fraude relacionada à criação de um fundo imobiliário. A decisão foi tomada nesta terça-feira (8), após um processo iniciado em 2020 sobre negócios realizados a partir de 2018.
Ao todo, sete pessoas e nove empresas foram condenadas. Também receberam punições Henrique Vorcaro, pai de Daniel e gestor da Milo Investimentos; Felipe Vorcaro, primo de Daniel e gestor da MG1 Desenvolvimento; e a Viking Participações. Henrique, Felipe e Daniel estão presos preventivamente desde maio por acusações na esfera criminal.
Imóveis superavaliados
A acusação analisada pela CVM apontou que o fundo foi criado com base em imóveis avaliados acima de seu valor. Em um dos negócios, um centro médico avaliado em R$ 7 milhões foi incluído no fundo por R$ 70 milhões, com apoio de um laudo falsificado.
O relator classificou a conduta como operação fraudulenta. A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que ele teve prejuízo pessoal de quase R$ 7 milhões. O relator, porém, considerou que os ganhos obtidos pelo Banco Master, por empresas da família e por outros envolvidos tornavam esse prejuízo insignificante.
“Então, alegar uma perda nominal na pessoa física, enquanto outros veículos auferiam ganho, seria como um assaltante de banco dizer que teve prejuízo porque teve que pagar o táxi para ir até o banco para assaltar”, disse o relator da CVM.
Daniel Vorcaro foi multado em R$ 20 milhões, mesmo valor aplicado a Henrique Vorcaro. Felipe Vorcaro recebeu multa de R$ 5 milhões. O Banco Master e as demais empresas da família deverão pagar R$ 47,5 milhões.
Os condenados ainda podem recorrer ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional.



